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XRP da Ripple Sofre Queda Acentuada e Quebra Barreira dos 3 Dólares

A criptomoeda XRP da Ripple volta a ser o centro das atenções no mercado por razões negativas. O ativo digital registou uma queda superior a 5% esta terça-feira, chegando a negociar nos 2,97 dólares no início da sessão de Nova Iorque. Esta desvalorização acentuou as perdas para mais de 9% na última semana e aproxima-se de uma correção de 19% desde o seu pico de 3,6556 dólares, alcançado no mês passado.

Embora o XRP tenha conseguido recuperar ligeiramente, negociando a 3,08 dólares na manhã de quarta-feira (horário local), o episódio revela uma rápida deterioração do sentimento dos investidores, que se mostrava otimista após a conclusão da disputa legal entre a Ripple e a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC) no início do mês.

Movimentação de Fundos Gera Incerteza no Mercado

A principal causa para a recente instabilidade parece estar ligada a uma significativa transferência de tokens associada a Chris Larsen, cofundador da Ripple. Segundo a publicação especializada em criptomoedas Finbold, desde o dia 17 do mês passado, foram transferidos cerca de 50 milhões de XRP (aproximadamente 140 milhões de dólares) de uma carteira pertencente a Larsen para uma plataforma de negociação (exchange).

Embora não existam provas concretas de uma venda, a simples movimentação desta magnitude foi suficiente para gerar um clima de incerteza. A carteira de Larsen ainda detém aproximadamente 2,5 mil milhões de XRP (cerca de 7,4 mil milhões de dólares), e novas transferências poderiam intensificar a pressão vendedora. De facto, o momento desta movimentação de fundos coincide quase perfeitamente com a queda do XRP de 3,38 dólares para valores abaixo dos 3 dólares. Historicamente, a entrada de grandes volumes de ativos detidos por “baleias” (grandes detentores) nas exchanges tende a preceder quedas de preço, uma vez que os traders interpretam o movimento como um sinal de venda iminente e agem de forma preventiva.

Análise Técnica e Próximos Níveis de Suporte

Especialistas apontam que o XRP enfrenta atualmente uma “tripla ameaça”: a pressão psicológica causada pelas transações de grandes detentores, a fragilidade técnica após a quebra de um nível de suporte crucial e a fuga de capital institucional para ativos considerados mais seguros, como o Bitcoin. O nível de 3 dólares era visto como um importante suporte psicológico e técnico.

De acordo com o analista de dados on-chain Ali Martinez, se o XRP não conseguir recuperar e manter-se acima dos 3 dólares, a probabilidade de uma queda mais acentuada aumenta. A análise técnica sugere que os próximos níveis de suporte se encontram na média móvel simples de 50 dias (2,94 dólares) e nos 2,72 dólares. Se estes níveis não se sustentarem, as quedas poderiam estender-se até à média móvel de 100 dias (2,60 dólares) e de 200 dias (2,45 dólares). Num cenário mais pessimista, o ativo poderia recuar até aos 2,24 dólares, o ponto de partida da sua subida em julho.

Dados da plataforma TradingView confirmam a fraqueza do mercado, mostrando que o XRP quebrou um padrão de triângulo simétrico em baixa. Além disso, o Índice de Força Relativa (RSI) caiu de 61 para 45, indicando um enfraquecimento da força compradora, enquanto a análise do Cumulative Volume Delta (CVD) revela que as ordens de venda dominam o mercado desde o dia 28 do mês passado.

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Líder da Intel ganha novo fôlego após reunião com Trump: CEO mantém apoio e ações disparam

Reunião estratégica muda o rumo da narrativa

O presidente Donald Trump parece ter revisto a sua posição sobre o CEO da Intel, Lip-Bu Tan. Depois de ter exigido a sua demissão na semana passada, Trump publicou na sua rede Truth Social que teve um encontro com Tan, acompanhado do Secretário do Comércio, Howard Lutnick, e do Secretário do Tesouro, Scott Bessent. Embora não tenha entrado em detalhes sobre a reunião, descreveu o encontro como “muito interessante”, acrescentando: “O seu sucesso e ascensão são uma história incrível”.

Este reconhecimento marca uma mudança significativa, tendo em conta que Trump anteriormente afirmou que Tan estava “altamente em conflito” por causa de investimentos em centenas de empresas chinesas, algumas alegadamente ligadas ao exército chinês, segundo a Reuters. Agora, o tom do presidente é conciliador: “O Sr. Tan e os membros do meu gabinete vão trabalhar juntos e apresentar sugestões na próxima semana”.

Tan defende-se e Intel responde às críticas

Em resposta às críticas, Tan dirigiu uma carta aos funcionários da Intel, afirmando que havia “muita desinformação” sobre os cargos que ocupou no passado. “Quero ser absolutamente claro… Sempre atuei dentro dos mais elevados padrões legais e éticos”, escreveu, segundo o Financial Times. A Intel, por sua vez, informou que estava a colaborar com a Casa Branca para esclarecer todos os pontos e assegurar que a verdade seja conhecida.

As acusações contra Tan surgiram após uma carta enviada pelo senador republicano Tom Cotton, chefe da Comissão de Inteligência do Senado, que questionava a segurança das operações da Intel devido às ligações de Tan com empresas chinesas através da sua firma de capital de risco, a Walden International.

Ações da Intel sobem após reaproximação com Trump

A mudança de postura por parte de Trump teve impacto imediato nos mercados. As ações da Intel subiram mais de 3% nas negociações de pré-mercado desta terça-feira, após o anúncio do encontro entre Tan e o presidente. A própria Intel confirmou a reunião e classificou-a como “franca e construtiva”, destacando o compromisso da empresa em fortalecer a liderança tecnológica e de fabrico dos EUA.

Na segunda-feira, as ações da empresa já tinham valorizado 3,5%, impulsionadas pelos rumores de que a reunião teria lugar.

Fontes citadas pelo Wall Street Journal indicaram que Tan procurava explicar a sua trajetória pessoal e profissional a Trump, além de apresentar propostas de cooperação entre a Intel e o governo norte-americano.

Reestruturação interna e aposta na produção nacional

Desde que assumiu a liderança da Intel, em março, após a saída de Pat Gelsinger, Tan tem promovido um plano de corte de custos agressivo, com o objetivo de reduzir a força de trabalho em 22% até ao final do ano. A empresa tem enfrentado dificuldades para competir no setor de fabrico de chips, especialmente face à Taiwan Semiconductor, além de perder quota no segmento tradicional de processadores para computadores.

Tan também alertou os investidores de que, caso não consiga garantir um grande cliente, poderá abandonar o desenvolvimento da sua tecnologia de fabrico de próxima geração. Ainda assim, a Intel reiterou o seu alinhamento com a agenda “America First” do presidente Trump, com investimentos robustos na produção de semicondutores em solo americano.

Um CEO sob pressão, mas ainda com capital político

Apesar da pressão política, a Intel tenta reforçar a sua posição como um pilar estratégico da indústria tecnológica americana. A reconciliação entre Trump e Tan representa não só uma vitória para o CEO, mas também um sinal de que a empresa continua a desempenhar um papel central nos planos de soberania tecnológica dos EUA. Com as conversas entre Tan e o governo a avançarem, a Intel poderá emergir mais forte — tanto no mercado como na política.

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Euribor com variações distintas nos diferentes prazos

A Euribor registou oscilações nos seus principais prazos, com descida a três meses e subidas a seis e a 12 meses. Atualmente, a taxa a três meses desceu para 3,265%, mantendo-se acima da taxa a seis meses, que subiu para 3,058%, e da taxa a 12 meses, que aumentou para 2,798%.

A taxa Euribor a seis meses, que é desde o início do ano a mais usada em Portugal nos contratos de crédito à habitação de taxa variável, registou um ligeiro acréscimo. Segundo dados do Banco de Portugal relativos ao mês de agosto, cerca de 37,6% dos empréstimos para aquisição de habitação própria com taxa variável estão indexados a este prazo. Os contratos indexados à Euribor a 12 meses representam 33,2%, enquanto os que seguem a taxa a três meses totalizam 25,8% do mercado.

No prazo de 12 meses, a Euribor subiu para 2,798%, um acréscimo face ao valor anterior. Recorde-se que esta taxa chegou a superar os 4% em períodos recentes.

Em contraste, a Euribor a três meses recuou ligeiramente, fixando-se agora em 3,265%. Esta evolução revela que, apesar das recentes subidas dos prazos mais longos, os prazos curtos tendem a estabilizar ou a diminuir.

Quando analisada a média das taxas Euribor ao longo do mês de setembro, verifica-se uma descida em todos os prazos, embora de forma menos marcada do que em agosto e com menor intensidade nas maturidades mais curtas. A média a três meses baixou 0,114 pontos para 3,434%, a seis meses caiu 0,167 pontos para 3,258%, enquanto a média a 12 meses diminuiu 0,230 pontos, situando-se em 2,936%.

Estas flutuações ocorrem num contexto de ajustamentos de política monetária. O Banco Central Europeu (BCE) decidiu recentemente reduzir a sua principal taxa diretora em 25 pontos base para 3,5%, após ter mantido as taxas de juro inalteradas na reunião anterior. Antes disso, o BCE tinha descido as taxas diretoras em junho, após um período de estabilidade em valores máximos desde 2001, e após dez aumentos sucessivos desde julho de 2022.

Também a Reserva Federal dos Estados Unidos implementou um corte nas taxas de juro, reduzindo-as em 50 pontos base, numa decisão que marcou a primeira descida desde 2020.

A próxima reunião de política monetária do BCE está prevista para ocorrer em outubro, na Eslovénia, e poderá trazer novas orientações quanto à evolução das taxas na zona euro.

A Euribor é determinada pela média das taxas a que um grupo de 19 bancos da zona euro está disposto a emprestar dinheiro entre si no mercado interbancário, sendo um dos principais indicadores para a evolução dos créditos à habitação em Portugal e no resto da Europa.

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SK Hynix atinge lucro operacional recorde impulsionado pela Inteligência Artificial

Resultados históricos alimentados pelo avanço da IA

A SK Hynix anunciou resultados sem precedentes no segundo trimestre deste ano, impulsionados pela crescente procura de tecnologia de inteligência artificial. A empresa superou até o dobro do lucro operacional da Samsung Electronics, atingindo o valor trimestral mais elevado da sua história e reforçando a aposta no domínio do segmento de memórias para IA, mesmo perante o aumento da concorrência no setor.

Lucros e receitas em máximos históricos

No balanço preliminar apresentado a 24 de julho, a SK Hynix revelou que o seu lucro operacional consolidado do segundo trimestre (abril a junho) atingiu 9,21 biliões de won, um crescimento de 68,5% em relação ao mesmo período do ano passado. Este resultado ultrapassou as previsões dos analistas e marca o valor mais alto desde a fundação da empresa. O lucro operacional da SK Hynix tem vindo a crescer consecutivamente desde o primeiro trimestre do ano passado, superando inclusive o conjunto de resultados operacionais da rival Samsung Electronics – que inclui semicondutores, smartphones e eletrodomésticos – por três trimestres seguidos.

Também as receitas atingiram um novo recorde, crescendo 35,4% em relação ao ano anterior e fixando-se em 22,23 biliões de won. A margem operacional situou-se nos 41%, reforçando a rentabilidade do negócio.

O papel central da memória HBM para IA

O principal fator por detrás destes resultados é o sucesso dos chips de memória HBM (High Bandwidth Memory), essenciais para o funcionamento de sistemas de inteligência artificial. A SK Hynix tornou-se fornecedora dominante destes componentes, abastecendo sobretudo a norte-americana Nvidia, líder global em chips para IA.

De acordo com o presidente Song Hyunjong, a forte procura das grandes tecnológicas por soluções de IA tem impulsionado o mercado, enquanto a antecipação de possíveis incertezas como as tarifas aduaneiras acelerou as encomendas. Mais de 70% das receitas da empresa advêm da venda de DRAM, incluindo os módulos HBM, cuja produção deste ano já está totalmente comprometida, impulsionando significativamente os resultados financeiros.

Concorrência intensifica-se, mas liderança mantida

O desafio agora para a SK Hynix é manter a liderança perante o avanço dos concorrentes. Empresas como a norte-americana Micron começaram recentemente a fornecer produtos HBM3E à Nvidia, enquanto a Samsung avança para a produção em massa de memórias HBM4. Analistas da Goldman Sachs já anteciparam uma intensificação da competição e a possibilidade de queda nos preços destas memórias, fatores que fizeram as ações da SK Hynix recuarem 9% recentemente.

Apesar disso, o vice-presidente Kim Ki-tae garantiu que o mercado de HBM continuará a crescer rapidamente, sendo este tipo de memória crucial para o desenvolvimento da IA. Destacou ainda a vantagem da SK Hynix como pioneira na oferta personalizada e na colaboração com clientes neste segmento.

Investimento reforçado para responder à procura

Em resposta ao contexto de mercado, a SK Hynix decidiu aumentar o investimento em infraestruturas de produção de HBM, prevendo limitar possíveis descidas de preços devido à complexidade crescente dos processos de fabrico das novas gerações. O plano passa pela entrada em funcionamento, já no quarto trimestre, da nova fábrica M15X em Cheongju, e pelo início da operação de uma unidade em Yongin em 2027.

A empresa também referiu que as negociações com grandes tecnológicas para fornecimento de HBM estão a decorrer de forma positiva, sendo capaz de responder de forma flexível às exigências de volume e qualidade dos clientes. Especialistas do setor consideram que, dada a dificuldade técnica, apenas a SK Hynix e a Micron conseguem atualmente produzir memórias HBM ao nível exigido pelos gigantes da tecnologia, o que aumenta a probabilidade de a empresa coreana continuar a ser a escolha preferida.

Expansão para além da HBM

Paralelamente ao investimento em HBM, a SK Hynix planeia continuar a inovar no segmento de memórias DRAM convencionais e NAND. Estão previstos lançamentos de novos produtos de alto desempenho, tanto para dispositivos móveis como para aplicações gráficas, além de soluções SSD de última geração para consumidores e empresas, antecipando o crescimento da procura por armazenamento rápido.

Perspectivas para o futuro

O recorde de resultados da SK Hynix reflete diretamente o aumento do investimento das grandes empresas globais em centros de dados para IA. Se esta tendência se mantiver, a expectativa é de que a empresa prolongue este ciclo de crescimento histórico durante o segundo semestre. Segundo a administração, o crescimento do mercado de HBM não oferece dúvidas, sustentado pela rápida expansão da IA e pela multiplicação de novas aplicações e serviços inteligentes.

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Nova reserva contracíclica do Banco de Portugal impõe maior exigência de capital ao BCP

O Banco de Portugal anunciou a introdução de uma nova reserva de capital contracíclica de 0,75%, que incidirá sobre a exposição dos bancos ao setor privado não financeiro em Portugal. Esta medida está prevista para entrar em vigor a partir de 1 de janeiro de 2026, tanto numa base individual como consolidada.

A decisão insere-se na estratégia do regulador para reforçar a resiliência do sistema financeiro nacional face a eventuais choques económicos, num contexto em que os riscos para a estabilidade financeira aumentaram nos últimos anos. A reserva contracíclica pretende, assim, funcionar como um colchão adicional que os bancos terão de constituir para prevenir desequilíbrios nos ciclos económicos.

Segundo cálculos efetuados com base nos relatórios e contas de 2023, o banco que enfrentará o maior impacto desta medida é o BCP (Banco Comercial Português). O Jornal Económico analisou os Ativos Ponderados pelo Risco (RWA – Risk-Weighted Assets) das principais instituições financeiras do país e apurou que o BCP detinha, no final do ano passado, 39.751 milhões de euros em RWAs.

Aplicando a nova taxa de 0,75% sobre esse montante, o BCP terá de constituir uma reserva adicional de aproximadamente 297,9 milhões de euros. Trata-se, portanto, da maior almofada exigida entre os cinco maiores bancos a operar em Portugal.

Esta obrigação de reforço de capital poderá ter implicações diretas na estratégia de alocação de recursos do BCP, obrigando o banco a ajustar os seus planos de investimento, distribuição de dividendos ou até a sua política de concessão de crédito. Ainda que a medida só entre em vigor em 2026, as instituições terão de começar a preparar-se desde já para garantir o cumprimento dos requisitos regulamentares.

Recorde-se que a reserva contracíclica é uma ferramenta prudencial que tem vindo a ganhar relevância em vários mercados europeus, sobretudo em fases de crescimento económico mais prolongado, onde se acumulam vulnerabilidades financeiras. Ao exigir aos bancos que reforcem o seu capital em períodos de expansão, o regulador procura mitigar os efeitos de eventuais crises futuras.

No caso português, esta será a primeira vez que o Banco de Portugal estabelece uma taxa positiva para a reserva contracíclica, sinalizando uma mudança na perceção dos riscos associados à evolução do crédito ao setor privado. Os restantes bancos, embora com menor exposição do que o BCP, também terão de constituir reservas proporcionais ao seu nível de ativos ponderados pelo risco.

A medida reforça a tendência crescente de uma supervisão mais exigente no setor financeiro nacional, num momento em que os bancos portugueses apresentam níveis de capital mais robustos do que no passado, mas continuam a ser desafiados por um ambiente macroeconómico incerto e pelas exigências do novo quadro regulatório europeu.

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Produção automóvel na Europa pode parar dentro de semanas devido à escassez de Terras Raras

A indústria automóvel europeia enfrenta uma ameaça iminente: a escassez de terras raras pode levar à interrupção da produção já nas próximas quatro a seis semanas. Estes materiais são essenciais para a fabricação de motores elétricos e baterias de veículos elétricos, e a sua disponibilidade está a ser fortemente condicionada por restrições impostas pela China.

A situação começou a agravar-se em abril, quando o governo chinês começou a limitar as exportações de metais de terras raras, exigindo licenças específicas. No entanto, o sistema para emitir essas licenças não estava plenamente operacional, o que resultou, na prática, num bloqueio das exportações. Isso provocou uma escassez preocupante para os fabricantes de motores elétricos, afetando sobretudo as construtoras ocidentais, incluindo as alemãs, altamente dependentes destes componentes.

Nos últimos dias, surgiram indícios de que Pequim começou a emitir algumas licenças de exportação. A Volkswagen confirmou ter recebido informações sobre a emissão limitada de autorizações. Também a empresa chinesa Baotou Tianhe Magnetics Technology, uma das maiores fornecedoras de ímanes de alto desempenho para grupos como Volkswagen, Bosch e Brose, anunciou que voltou a exportar.

Contudo, essa retoma parcial não resolve o problema. Fontes do setor alertam que, apesar de algumas licenças estarem a ser concedidas, permanece o risco de novas suspensões súbitas devido a alegadas falhas burocráticas. Além disso, segundo informações de bastidores, a exportação pode ser recusada se o destino final dos materiais for os Estados Unidos ou se se suspeitar que os produtos fabricados com essas matérias-primas serão vendidos no mercado norte-americano.

De acordo com Christian Grimmelt, especialista da consultora Berylls by AlixPartners, os stocks atualmente disponíveis nas fábricas europeias poderão esgotar-se em apenas quatro a seis semanas. Após esse prazo, será inevitável parar linhas de produção. Grimmelt teme que isso comprometa seriamente o avanço da mobilidade elétrica na Europa. Além disso, os preços destes materiais aumentaram entre 40% e 50% nos últimos meses, o que já está a pressionar os custos operacionais das fabricantes.

Apesar da gravidade da situação, os grandes grupos automóveis alemães têm-se mostrado cautelosos nas declarações públicas. A Mercedes-Benz, por exemplo, reconhece a incerteza, destacando a complexidade e volatilidade da situação, mas evita fazer previsões. A marca afirma estar a acompanhar atentamente o processo de atribuição de licenças, embora sublinhe que muitas variáveis continuam em movimento, dificultando análises definitivas.

Também o grupo Volkswagen, que inclui as marcas Audi e Porsche, recusou avançar com previsões. Afirmou, no entanto, que, por enquanto, não existem ruturas no fornecimento de peças com terras raras e que os seus fornecedores estão a trabalhar ativamente com subfornecedores para garantir o acesso às licenças necessárias.

Analistas acreditam que a China está a usar esta incerteza como ferramenta estratégica. Ao manter os seus parceiros comerciais na dúvida e demonstrar poder sobre cadeias de abastecimento críticas, Pequim reforça a sua influência global. Este tipo de controlo lembra os choques logísticos durante os confinamentos chineses de 2021, quando navios ficaram parados à porta de portos chineses enquanto as autoridades testavam não só pessoas, mas também mercadorias, como salmão congelado, em busca do vírus da Covid-19.

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Ouro valoriza com fraqueza do dólar e procura por ativos de refúgio

O preço do ouro registou uma valorização superior a 2% esta sexta-feira, impulsionado pela desvalorização do dólar e pelo aumento da procura por ativos considerados de refúgio, numa altura em que os mercados aguardam a próxima decisão de política monetária da Reserva Federal dos Estados Unidos (Fed), prevista para o final da semana.

O ouro à vista subiu 2,3%, atingindo os 3.315,62 dólares por onça às 9h44 (hora de Nova Iorque). Já os contratos futuros de ouro nos Estados Unidos registaram um aumento de 2,5%, para 3.324,50 dólares por onça.

O índice do dólar, que mede o desempenho da moeda norte-americana face a uma cesta de outras divisas, caiu 0,5%. Esta descida torna o ouro mais acessível para investidores que utilizam outras moedas, aumentando assim a atratividade do metal precioso.

A tensão no panorama internacional também contribuiu para o cenário favorável ao ouro. O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou no domingo uma tarifa de 100% sobre filmes produzidos no estrangeiro, reacendendo os receios em torno das consequências de uma potencial guerra comercial global.

Segundo Jim Wyckoff, analista sénior da Kitco Metals, “estamos a assistir a um fluxo contínuo de procura por ativos de refúgio, o que tem mantido os preços do ouro em alta. No curto prazo, é provável que o ouro continue a negociar acima dos 3.000 dólares.”

Wyckoff acrescentou ainda que “não se espera qualquer alteração nas taxas de juro na reunião da Fed, mas o mercado estará atento aos sinais que indiquem uma possível mudança de direção da política monetária.”

Os investidores aguardam com expectativa as declarações do presidente da Fed, Jerome Powell, marcadas para quarta-feira, na esperança de obter pistas sobre o rumo futuro das taxas de juro. Desde dezembro, a taxa de juro diretora da Fed tem sido mantida entre 4,25% e 4,50%.

Embora o mercado espere que as taxas permaneçam inalteradas nesta reunião, poderá ser a última vez que a decisão se revele tão previsível. A imposição das novas tarifas por parte da administração Trump lançou uma sombra de incerteza sobre as perspetivas económicas.

O ouro, tradicionalmente visto como uma proteção contra períodos de instabilidade e um ativo favorecido em ambientes de taxas de juro baixas, tem beneficiado de forma significativa. Em 2025, o metal já valorizou 26,3%, tendo alcançado vários máximos históricos ao longo do ano.

O banco Goldman Sachs prevê que o ouro continue a superar o desempenho da prata. Contudo, dada a forte correlação entre ambos os metais, espera-se que a procura renovada por ouro em 2025 também impulsione os preços da prata.

Neste mesmo contexto, a prata à vista registou um aumento de 1,3%, situando-se nos 32,39 dólares por onça. O preço do platina também subiu 0,4%, para 963,76 dólares. Em contrapartida, o paládio caiu 0,7%, fixando-se nos 947,15 dólares.

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Setor dos smartphones recondicionados enfrenta falta de mão de obra qualificada, alerta a Swappie

A Swappie, empresa especializada na venda de smartphones recondicionados, lançou um alerta sobre os desafios enfrentados pelo setor, destacando a escassez de profissionais qualificados e o domínio dos fabricantes originais como obstáculos ao crescimento do mercado.

Num relatório recentemente divulgado, intitulado White Paper, a empresa identifica dois grandes entraves ao desenvolvimento do setor. O primeiro prende-se com a forte concentração de poder nas mãos dos fabricantes originais, que controlam o acesso a componentes e a manuais de reparação. Esta limitação, segundo a Swappie, impede que outras empresas possam operar em igualdade de condições e inibe a concorrência.

O segundo desafio diz respeito à falta de mão de obra especializada. A empresa salienta a urgência de criar mais programas de formação técnica na área da reparação de dispositivos, bem como de adotar políticas de imigração estratégicas que ajudem a colmatar esta lacuna no mercado de trabalho.

A Swappie sublinha ainda a importância de uma melhor aplicação das regras do IVA marginal, um regime fiscal específico para bens em segunda mão, como forma de prevenir fraudes fiscais e tornar o mercado mais transparente e eficiente.

Para além das questões estruturais, a empresa também chama a atenção para o impacto ambiental da indústria dos smartphones. Segundo os dados do relatório, cerca de 85% da pegada de carbono de um telemóvel corresponde à sua produção inicial, representando cerca de 80 kg de emissões de dióxido de carbono por unidade.

Neste contexto, a Swappie defende que a compra de equipamentos recondicionados constitui uma alternativa mais sustentável. A empresa estima que a aquisição de um smartphone recondicionado reduz as emissões em até 78%, contribuindo significativamente para a diminuição do impacto ambiental da tecnologia.

Com estes dados, a Swappie pretende promover uma reflexão sobre as práticas atuais do setor e apelar à criação de políticas que favoreçam a economia circular, a inclusão de mão de obra qualificada e a proteção do meio ambiente.

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Walgreens perto de acordo de US$ 10 mil milhões para privatização com Sycamore

A Walgreens Boots Alliance Inc (NASDAQ:WBA) está prestes a concluir um acordo com a empresa de private equity Sycamore Partners para tornar a cadeia de farmácias privada, numa transação avaliada em cerca de 10 mil milhões de dólares, segundo um relatório do Wall Street Journal publicado na segunda-feira, citando fontes familiarizadas com o assunto.

O acordo poderá ser fechado já na quinta-feira, a menos que surjam complicações de última hora, informou o jornal.

Na sequência da notícia, as ações da Walgreens subiram mais de 5% no pregão pré-abertura de terça-feira.

Segundo o relatório, a Sycamore deverá pagar entre US$ 11,30 e US$ 11,40 por ação em dinheiro, com um valor adicional possível atrelado a metas de desempenho.

Caso a operação avance, a Sycamore deverá manter as principais operações de retalho da Walgreens nos EUA, ao mesmo tempo que pode vender ou abrir o capital de outras divisões da empresa, segundo o Wall Street Journal.

Analistas da Leerink Partners afirmaram que já tinham realizado análises sobre uma aquisição alavancada (LBO) de toda a estrutura da Walgreens Boots Alliance por um valor de US$ 12 por ação, mas consideraram difícil obter um retorno sólido nessa operação. Também destacaram que o valor de compra relatado está abaixo desse patamar.

“Como sempre, analisamos esses relatórios com cautela e continuamos a ver um futuro incerto para a WBA, seja como empresa pública ou privada. Também esperamos que, caso o acordo seja concretizado, haja um spread razoável, mesmo que esta não seja uma transação estratégica”, acrescentaram os analistas.

Outrora uma das principais redes de farmácias dos EUA, a Walgreens viu o seu valor de mercado cair de mais de 100 mil milhões de dólares em 2015 para menos de 8 mil milhões no final de 2024. A empresa tem enfrentado dificuldades devido à redução das margens no seu negócio de prescrições médicas e à sua fracassada expansão para o setor de cuidados primários.

Sob a liderança do CEO Tim Wentworth, a Walgreens tem fechado lojas com baixo desempenho e procurado estabilizar as suas operações de retalho, conforme indicou o relatório.

A Sycamore, conhecida pelos seus investimentos no setor do retalho, adquiriu anteriormente a Staples em 2017.

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IRS Jovem estendido até aos primeiros 10 anos de trabalho ou até aos 35 anos

O Governo de Portugal anunciou uma proposta que alarga o benefício fiscal do IRS Jovem, permitindo que os jovens trabalhadores tenham acesso a reduções no imposto de rendimento durante os seus primeiros 10 anos de trabalho, independentemente do nível de escolaridade, e estendendo a medida até aos 35 anos de idade.

De acordo com a proposta incluída no Orçamento do Estado para 2025, o IRS Jovem será completamente isento no primeiro ano de trabalho. A partir daí, a isenção será progressiva: 75% de redução entre o 2.º e o 4.º ano, 50% entre o 5.º e o 7.º ano, e 25% entre o 8.º e o 10.º ano de trabalho. Este modelo representa um compromisso entre a proposta inicial do Governo, que previa benefícios fiscais para os primeiros 13 anos de trabalho, e a contraproposta do Partido Socialista, que defendia reduções apenas para os primeiros sete anos.

Impacto financeiro do novo modelo

O modelo atual do IRS Jovem, que abrange os primeiros cinco anos de trabalho, tem um impacto de 250 milhões de euros no Orçamento do Estado para 2025. Já a proposta alargada, caso aprovada, terá um custo estimado de 525 milhões de euros. Esta diferença reflete o aumento do período de isenção e o consequente alívio fiscal para os jovens trabalhadores.

A medida terá, no entanto, um limite de aplicação. Apenas trabalhadores com rendimentos anuais coletáveis de até 28 mil euros, o equivalente a 55 Indexantes de Apoios Sociais (IAS) e ao 6.º escalão de rendimento, poderão beneficiar das reduções.

Alterações significativas

Uma das principais mudanças na proposta é a eliminação do critério de escolaridade, que anteriormente restringia o acesso ao IRS Jovem a jovens com formação académica específica. Esta alteração torna o benefício acessível a um público mais amplo, promovendo maior equidade no sistema fiscal e incentivando a entrada de jovens no mercado de trabalho, independentemente do seu percurso educacional.

Atualmente, o IRS Jovem oferece isenção total ou parcial de imposto apenas nos primeiros cinco anos de trabalho, com limites de rendimento que diminuem ao longo do tempo. Com a nova proposta, o horizonte do benefício será ampliado, oferecendo um incentivo fiscal mais duradouro e significativo para esta faixa etária.

A medida deverá ser discutida e votada no âmbito do Orçamento do Estado para 2025, com impacto direto na renda disponível dos jovens trabalhadores e no estímulo à sua inserção e permanência no mercado de trabalho.