A Nova Ordem Mundial dos Semicondutores: A Ascensão da Nvidia e os Danos Colaterais
A procura insaciável por capacidade de processamento de inteligência artificial provocou uma verdadeira reviravolta na hierarquia tecnológica global. A Nvidia, gigante indiscutível das unidades de processamento gráfico, destronou a Apple como o maior cliente da TSMC, uma mudança tectónica confirmada por fontes próximas da indústria e corroborada pela postura do CEO da Nvidia, Jensen Huang. Este reajuste não é apenas simbólico; representa o fim de uma era de privilégios exclusivos para a empresa de Cupertino e desencadeia uma série de consequências que se estendem desde as linhas de montagem da Intel até aos computadores dos consumidores domésticos e às complexas relações comerciais com a China.
O Fim do Tratamento Preferencial da Apple
Durante anos, a Apple gozou de um estatuto ímpar junto da fabricante taiwanesa TSMC. A empresa beneficiava de prioridade absoluta no acesso a novos processos de fabrico e, num arranjo comercial extremamente raro, estava isenta de pagar pelos dies defeituosos. Contudo, perante a explosão da procura por chips de IA, o volume de negócios da Apple deixou de ser o único pilar central para a TSMC. Rumores credíveis indicam que a Apple está a perder estas regalias, sendo forçada a competir pela capacidade de produção em pé de igualdade com outros clientes e a enfrentar aumentos de preços substanciais.
Neste cenário de reconfiguração, surge um vencedor improvável: a Intel. Analistas de mercado têm revisto em alta as ações da tecnológica norte-americana, impulsionados pela forte possibilidade de a Apple estar prestes a recorrer às fábricas da Intel para a produção de alguns dos seus processadores. Especula-se que a Apple considera utilizar o processo “Intel 18A” para os seus chips da série M de gama baixa e o futuro processo “Intel 14A”, previsto para 2027, para componentes do iPhone. Esta diversificação estratégica, que poderia envolver entre 15 a 20 milhões de chips anualmente, surge como uma necessidade vital para a Apple garantir o abastecimento dos seus produtos previstos para o final da década.
O Mercado de Consumo em Segundo Plano
Enquanto a Nvidia consolida o seu domínio no setor empresarial, o mercado de jogos e consumo doméstico prepara-se para absorver o impacto negativo desta estratégia. Informações recentes sugerem que a Nvidia planeia suspender a produção da série GeForce RTX 50, incluindo o modelo RTX 5060, durante os próximos seis meses. A decisão, motivada por um “excesso de reservas” nas vendas de IA e pela consequente escassez de memória, coloca o setor de gaming numa posição delicada.
Fontes da indústria apontam que a prioridade total dada ao cumprimento das encomendas de inteligência artificial levou ao cancelamento efetivo ou adiamento indefinido de modelos intermédios, como as versões Ti. Embora as variantes com menor capacidade de memória possam continuar a chegar ao mercado, fá-lo-ão a conta-gotas e com volumes reduzidos. Estima-se que a normalização da oferta apenas ocorra no último trimestre de 2026, acompanhada de um agravamento generalizado dos preços na ordem dos 30%, refletindo o aumento dos custos dos componentes base.
O Impasse Geopolítico e o “Momento Boeing” da Nvidia
A complexidade da situação da Nvidia não se resume apenas à gestão da produção, estendendo-se perigosamente à arena geopolítica. A exportação do chip H200 para a China encontra-se num impasse crítico. O que inicialmente parecia ser um acordo de partilha de receitas — onde o governo dos EUA arrecadaria uma taxa de 25% sobre as vendas — revelou-se, na prática, um mecanismo tarifário que a China parece não estar disposta a aceitar.
As notícias mais recentes dão conta de que a China está a recusar os envios destes chips avançados, colocando em risco encomendas avaliadas em 30 mil milhões de dólares. Este bloqueio comercial evoca paralelos preocupantes com a situação vivida pela Boeing durante a anterior guerra comercial, onde a empresa aeronáutica se viu apanhada no fogo cruzado diplomático. A incerteza em torno do mercado chinês, que poderá estar a usar esta recusa como alavanca negocial ou simplesmente a reagir a uma “taxa de exportação” forçada, demonstra como a Nvidia se tornou, involuntariamente, num peão central nas tensões comerciais entre as duas superpotências, transformando o seu sucesso tecnológico num desafio de gestão de risco sem precedentes.
Combustíveis voltam a subir na próxima semana num contexto de instabilidade global
Se ainda não abasteceu o carro, talvez seja boa ideia fazê-lo antes do fim de semana. A tendência de descida a que assistimos recentemente inverteu-se e, a partir da próxima segunda-feira, dia 16 de junho, os preços vão voltar a agravar-se. Segundo informações avançadas pela SIC Notícias, o aumento será transversal tanto ao gasóleo como à gasolina.
Esta será a segunda semana consecutiva de subidas. As previsões apontam para um encarecimento de 1,5 cêntimos por litro no gasóleo e de 1,0 cêntimo por litro na gasolina. Em termos práticos, e olhando para os valores médios, isto significa que o preço do gasóleo poderá saltar para os 1,533 euros, enquanto a gasolina deverá fixar-se nos 1,689 euros.
Naturalmente, estes valores podem oscilar dependendo do posto de abastecimento. Para quem procura minimizar o impacto na carteira, a recomendação passa por consultar o Portal Preços dos Combustíveis Online. Esta ferramenta permite filtrar a pesquisa por distrito, município ou marca, facilitando a comparação de preços e uma decisão mais informada na hora de encher o depósito.
O inverno e a geopolítica pressionam os mercados
Este agravamento nos preços em Portugal não é um caso isolado, mas sim o reflexo de uma negociação instável nos mercados internacionais de matérias-primas. Os futuros do petróleo têm registado uma tendência de alta, impulsionados fundamentalmente pelo aumento da procura de combustível para aquecimento.
Phil Flynn, do Price Futures Group, nota que as baixas temperaturas estão a dar um suporte decisivo ao mercado, especificamente no “heating oil”. A contribuir para o otimismo dos investidores está também a Agência Internacional de Energia (AIE), que reviu novamente em alta as suas previsões de procura global. Curiosamente, os futuros do diesel em Nova Iorque (Nymex) subiram uns expressivos 3,2%, o que se alinha com o aumento do gasóleo que sentiremos cá.
Tensões diplomáticas e excesso de oferta
Do lado da geopolítica, o cenário permanece complexo, embora alguns focos de tensão tenham arrefecido. Em Davos, o Presidente Trump procurou tranquilizar os ânimos relativamente à Gronelândia, garantindo que os EUA não usarão a força para controlar o território, apesar de insistir na necessidade estratégica de possuir a ilha. Este dossiê, contudo, teve pouco impacto real nas cotações, com os investidores mais focados na Venezuela e no Irão.
Sobre o Irão, tem havido um “silêncio ensurdecedor” nos últimos dias, o que mantém o mercado em alerta. Já em relação à Venezuela, Chris Wright, Secretário da Energia dos EUA, alertou que o país poderá aumentar a sua produção petrolífera mais depressa do que os analistas antecipam. Segundo Marcus McGregor, da gestora de ativos Conning, embora o Irão possa vir a ser um ponto de viragem, o pano de fundo atual continua a ser o de um mercado global com excesso de oferta, o que serve de “âncora” e impede subidas ainda mais drásticas.
No fecho das contas internacionais, o crude WTI tem oscilado na casa dos 60 dólares (fechando a sessão nos 60,62 dólares numa estreia do contrato de março, embora com ligeiras variações posteriores), enquanto o Brent se situa nos 64,85 dólares por barril.
Mercado sul-coreano encerra em baixa com receios sobre os EUA, enquanto governo impulsiona a indústria de semicondutores de IA
Os mercados de ações da Coreia do Sul fecharam em território negativo esta terça-feira, influenciados pela crescente incerteza em torno de uma possível paralisação do governo federal dos Estados Unidos e pela procura de liquidez por parte dos investidores antes de um longo período de feriados no país. Em contrapartida, o governo sul-coreano demonstrou uma forte aposta no futuro tecnológico, ao lançar uma nova iniciativa para fortalecer o ecossistema de semicondutores de Inteligência Artificial (IA).
Análise do fecho dos mercados
O principal índice da bolsa sul-coreana, o KOSPI, encerrou a sessão com uma queda de 6,94 pontos (0,20%), fixando-se nos 3.424,27 pontos. Apesar de ter iniciado o dia em alta, a tendência não se manteve. O índice KOSDAQ também registou perdas, caindo 0,50% para 842,51 pontos.
Segundo analistas, o nervosismo dos investidores foi agravado pelos receios de um shutdown do governo norte-americano. “A preocupação com a paralisação do governo federal dos EUA está a aumentar”, explicou Lee Kyung-min, analista da Daishin Securities. “Embora episódios anteriores não tenham tido um impacto duradouro nos mercados financeiros, a possibilidade de despedimentos de funcionários públicos e o adiamento de indicadores económicos importantes, como os dados do emprego de outubro, estão a gerar um clima de cautela.”
No mercado KOSPI, os investidores individuais e institucionais venderam ações, enquanto os investidores estrangeiros realizaram compras líquidas. Entre as empresas de maior capitalização, destacaram-se as subidas da Hanwha Aerospace (4,53%) e da HD Hyundai Heavy Industries (4,78%). Em sentido contrário, empresas como NAVER (-2,19%), LG Energy Solution (-1,14%) e Samsung Electronics (-0,36%) terminaram o dia com perdas.
Governo lança aliança estratégica para semicondutores de IA
Num movimento estratégico que contrasta com a instabilidade dos mercados, o Ministério do Comércio, Indústria e Energia da Coreia do Sul organizou um fórum no Global Convergence Center em Seongnam para lançar o projeto “K-On-Device AI Semiconductor”. O evento marcou o primeiro passo da “Aliança M.AX”, uma iniciativa que visa transformar a Coreia do Sul na principal potência de fabrico e automação industrial (AX) baseada em IA até 2030.
O fórum reuniu mais de 150 figuras proeminentes da indústria, incluindo empresas dos setores automóvel, IoT, robótica e defesa, bem como empresas fabless (design de chips) como a DeepX, a Mobilint e a FuriosaAI, foundries (fabrico de chips) e gigantes globais de propriedade intelectual (IP) como a Arm.
Um ecossistema de colaboração para o futuro
Durante o evento, foram apresentadas demonstrações tecnológicas e o plano de ação do governo. Foi também assinado um memorando de entendimento entre o ministério e os principais intervenientes da indústria para garantir o sucesso do projeto.
A Aliança M.AX foi desenhada para fortalecer a ligação entre os vários elos da cadeia de valor. As empresas de setores como o automóvel e a robótica irão partilhar dados e apoiar testes em cenários reais, garantindo que os novos semicondutores de IA sejam efetivamente integrados e produzidos em massa. Por sua vez, as foundries e as empresas de IP, como a Samsung Foundry e a Arm, comprometeram-se a apoiar os consórcios participantes para que os protótipos possam ser produzidos de forma atempada e a custos competitivos.
O Ministro do Comércio, Indústria e Energia, Kim Jeong-gwan, sublinhou a importância da iniciativa: “Os semicondutores de IA são o motor de inovação que permitirá a grande transformação de produtos avançados, como veículos autónomos e humanoides. O governo irá lançar rapidamente este projeto de desenvolvimento tecnológico no próximo ano para garantir que alcançamos uma vantagem competitiva crucial no hardware.”
XRP da Ripple Sofre Queda Acentuada e Quebra Barreira dos 3 Dólares
A criptomoeda XRP da Ripple volta a ser o centro das atenções no mercado por razões negativas. O ativo digital registou uma queda superior a 5% esta terça-feira, chegando a negociar nos 2,97 dólares no início da sessão de Nova Iorque. Esta desvalorização acentuou as perdas para mais de 9% na última semana e aproxima-se de uma correção de 19% desde o seu pico de 3,6556 dólares, alcançado no mês passado.
Embora o XRP tenha conseguido recuperar ligeiramente, negociando a 3,08 dólares na manhã de quarta-feira (horário local), o episódio revela uma rápida deterioração do sentimento dos investidores, que se mostrava otimista após a conclusão da disputa legal entre a Ripple e a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC) no início do mês.
Movimentação de Fundos Gera Incerteza no Mercado
A principal causa para a recente instabilidade parece estar ligada a uma significativa transferência de tokens associada a Chris Larsen, cofundador da Ripple. Segundo a publicação especializada em criptomoedas Finbold, desde o dia 17 do mês passado, foram transferidos cerca de 50 milhões de XRP (aproximadamente 140 milhões de dólares) de uma carteira pertencente a Larsen para uma plataforma de negociação (exchange).
Embora não existam provas concretas de uma venda, a simples movimentação desta magnitude foi suficiente para gerar um clima de incerteza. A carteira de Larsen ainda detém aproximadamente 2,5 mil milhões de XRP (cerca de 7,4 mil milhões de dólares), e novas transferências poderiam intensificar a pressão vendedora. De facto, o momento desta movimentação de fundos coincide quase perfeitamente com a queda do XRP de 3,38 dólares para valores abaixo dos 3 dólares. Historicamente, a entrada de grandes volumes de ativos detidos por “baleias” (grandes detentores) nas exchanges tende a preceder quedas de preço, uma vez que os traders interpretam o movimento como um sinal de venda iminente e agem de forma preventiva.
Análise Técnica e Próximos Níveis de Suporte
Especialistas apontam que o XRP enfrenta atualmente uma “tripla ameaça”: a pressão psicológica causada pelas transações de grandes detentores, a fragilidade técnica após a quebra de um nível de suporte crucial e a fuga de capital institucional para ativos considerados mais seguros, como o Bitcoin. O nível de 3 dólares era visto como um importante suporte psicológico e técnico.
De acordo com o analista de dados on-chain Ali Martinez, se o XRP não conseguir recuperar e manter-se acima dos 3 dólares, a probabilidade de uma queda mais acentuada aumenta. A análise técnica sugere que os próximos níveis de suporte se encontram na média móvel simples de 50 dias (2,94 dólares) e nos 2,72 dólares. Se estes níveis não se sustentarem, as quedas poderiam estender-se até à média móvel de 100 dias (2,60 dólares) e de 200 dias (2,45 dólares). Num cenário mais pessimista, o ativo poderia recuar até aos 2,24 dólares, o ponto de partida da sua subida em julho.
Dados da plataforma TradingView confirmam a fraqueza do mercado, mostrando que o XRP quebrou um padrão de triângulo simétrico em baixa. Além disso, o Índice de Força Relativa (RSI) caiu de 61 para 45, indicando um enfraquecimento da força compradora, enquanto a análise do Cumulative Volume Delta (CVD) revela que as ordens de venda dominam o mercado desde o dia 28 do mês passado.
Líder da Intel ganha novo fôlego após reunião com Trump: CEO mantém apoio e ações disparam
Reunião estratégica muda o rumo da narrativa
O presidente Donald Trump parece ter revisto a sua posição sobre o CEO da Intel, Lip-Bu Tan. Depois de ter exigido a sua demissão na semana passada, Trump publicou na sua rede Truth Social que teve um encontro com Tan, acompanhado do Secretário do Comércio, Howard Lutnick, e do Secretário do Tesouro, Scott Bessent. Embora não tenha entrado em detalhes sobre a reunião, descreveu o encontro como “muito interessante”, acrescentando: “O seu sucesso e ascensão são uma história incrível”.
Este reconhecimento marca uma mudança significativa, tendo em conta que Trump anteriormente afirmou que Tan estava “altamente em conflito” por causa de investimentos em centenas de empresas chinesas, algumas alegadamente ligadas ao exército chinês, segundo a Reuters. Agora, o tom do presidente é conciliador: “O Sr. Tan e os membros do meu gabinete vão trabalhar juntos e apresentar sugestões na próxima semana”.
Tan defende-se e Intel responde às críticas
Em resposta às críticas, Tan dirigiu uma carta aos funcionários da Intel, afirmando que havia “muita desinformação” sobre os cargos que ocupou no passado. “Quero ser absolutamente claro… Sempre atuei dentro dos mais elevados padrões legais e éticos”, escreveu, segundo o Financial Times. A Intel, por sua vez, informou que estava a colaborar com a Casa Branca para esclarecer todos os pontos e assegurar que a verdade seja conhecida.
As acusações contra Tan surgiram após uma carta enviada pelo senador republicano Tom Cotton, chefe da Comissão de Inteligência do Senado, que questionava a segurança das operações da Intel devido às ligações de Tan com empresas chinesas através da sua firma de capital de risco, a Walden International.
Ações da Intel sobem após reaproximação com Trump
A mudança de postura por parte de Trump teve impacto imediato nos mercados. As ações da Intel subiram mais de 3% nas negociações de pré-mercado desta terça-feira, após o anúncio do encontro entre Tan e o presidente. A própria Intel confirmou a reunião e classificou-a como “franca e construtiva”, destacando o compromisso da empresa em fortalecer a liderança tecnológica e de fabrico dos EUA.
Na segunda-feira, as ações da empresa já tinham valorizado 3,5%, impulsionadas pelos rumores de que a reunião teria lugar.
Fontes citadas pelo Wall Street Journal indicaram que Tan procurava explicar a sua trajetória pessoal e profissional a Trump, além de apresentar propostas de cooperação entre a Intel e o governo norte-americano.
Reestruturação interna e aposta na produção nacional
Desde que assumiu a liderança da Intel, em março, após a saída de Pat Gelsinger, Tan tem promovido um plano de corte de custos agressivo, com o objetivo de reduzir a força de trabalho em 22% até ao final do ano. A empresa tem enfrentado dificuldades para competir no setor de fabrico de chips, especialmente face à Taiwan Semiconductor, além de perder quota no segmento tradicional de processadores para computadores.
Tan também alertou os investidores de que, caso não consiga garantir um grande cliente, poderá abandonar o desenvolvimento da sua tecnologia de fabrico de próxima geração. Ainda assim, a Intel reiterou o seu alinhamento com a agenda “America First” do presidente Trump, com investimentos robustos na produção de semicondutores em solo americano.
Um CEO sob pressão, mas ainda com capital político
Apesar da pressão política, a Intel tenta reforçar a sua posição como um pilar estratégico da indústria tecnológica americana. A reconciliação entre Trump e Tan representa não só uma vitória para o CEO, mas também um sinal de que a empresa continua a desempenhar um papel central nos planos de soberania tecnológica dos EUA. Com as conversas entre Tan e o governo a avançarem, a Intel poderá emergir mais forte — tanto no mercado como na política.
Euribor com variações distintas nos diferentes prazos
A Euribor registou oscilações nos seus principais prazos, com descida a três meses e subidas a seis e a 12 meses. Atualmente, a taxa a três meses desceu para 3,265%, mantendo-se acima da taxa a seis meses, que subiu para 3,058%, e da taxa a 12 meses, que aumentou para 2,798%.
A taxa Euribor a seis meses, que é desde o início do ano a mais usada em Portugal nos contratos de crédito à habitação de taxa variável, registou um ligeiro acréscimo. Segundo dados do Banco de Portugal relativos ao mês de agosto, cerca de 37,6% dos empréstimos para aquisição de habitação própria com taxa variável estão indexados a este prazo. Os contratos indexados à Euribor a 12 meses representam 33,2%, enquanto os que seguem a taxa a três meses totalizam 25,8% do mercado.
No prazo de 12 meses, a Euribor subiu para 2,798%, um acréscimo face ao valor anterior. Recorde-se que esta taxa chegou a superar os 4% em períodos recentes.
Em contraste, a Euribor a três meses recuou ligeiramente, fixando-se agora em 3,265%. Esta evolução revela que, apesar das recentes subidas dos prazos mais longos, os prazos curtos tendem a estabilizar ou a diminuir.
Quando analisada a média das taxas Euribor ao longo do mês de setembro, verifica-se uma descida em todos os prazos, embora de forma menos marcada do que em agosto e com menor intensidade nas maturidades mais curtas. A média a três meses baixou 0,114 pontos para 3,434%, a seis meses caiu 0,167 pontos para 3,258%, enquanto a média a 12 meses diminuiu 0,230 pontos, situando-se em 2,936%.
Estas flutuações ocorrem num contexto de ajustamentos de política monetária. O Banco Central Europeu (BCE) decidiu recentemente reduzir a sua principal taxa diretora em 25 pontos base para 3,5%, após ter mantido as taxas de juro inalteradas na reunião anterior. Antes disso, o BCE tinha descido as taxas diretoras em junho, após um período de estabilidade em valores máximos desde 2001, e após dez aumentos sucessivos desde julho de 2022.
Também a Reserva Federal dos Estados Unidos implementou um corte nas taxas de juro, reduzindo-as em 50 pontos base, numa decisão que marcou a primeira descida desde 2020.
A próxima reunião de política monetária do BCE está prevista para ocorrer em outubro, na Eslovénia, e poderá trazer novas orientações quanto à evolução das taxas na zona euro.
A Euribor é determinada pela média das taxas a que um grupo de 19 bancos da zona euro está disposto a emprestar dinheiro entre si no mercado interbancário, sendo um dos principais indicadores para a evolução dos créditos à habitação em Portugal e no resto da Europa.
SK Hynix atinge lucro operacional recorde impulsionado pela Inteligência Artificial
Resultados históricos alimentados pelo avanço da IA
A SK Hynix anunciou resultados sem precedentes no segundo trimestre deste ano, impulsionados pela crescente procura de tecnologia de inteligência artificial. A empresa superou até o dobro do lucro operacional da Samsung Electronics, atingindo o valor trimestral mais elevado da sua história e reforçando a aposta no domínio do segmento de memórias para IA, mesmo perante o aumento da concorrência no setor.
Lucros e receitas em máximos históricos
No balanço preliminar apresentado a 24 de julho, a SK Hynix revelou que o seu lucro operacional consolidado do segundo trimestre (abril a junho) atingiu 9,21 biliões de won, um crescimento de 68,5% em relação ao mesmo período do ano passado. Este resultado ultrapassou as previsões dos analistas e marca o valor mais alto desde a fundação da empresa. O lucro operacional da SK Hynix tem vindo a crescer consecutivamente desde o primeiro trimestre do ano passado, superando inclusive o conjunto de resultados operacionais da rival Samsung Electronics – que inclui semicondutores, smartphones e eletrodomésticos – por três trimestres seguidos.
Também as receitas atingiram um novo recorde, crescendo 35,4% em relação ao ano anterior e fixando-se em 22,23 biliões de won. A margem operacional situou-se nos 41%, reforçando a rentabilidade do negócio.
O papel central da memória HBM para IA
O principal fator por detrás destes resultados é o sucesso dos chips de memória HBM (High Bandwidth Memory), essenciais para o funcionamento de sistemas de inteligência artificial. A SK Hynix tornou-se fornecedora dominante destes componentes, abastecendo sobretudo a norte-americana Nvidia, líder global em chips para IA.
De acordo com o presidente Song Hyunjong, a forte procura das grandes tecnológicas por soluções de IA tem impulsionado o mercado, enquanto a antecipação de possíveis incertezas como as tarifas aduaneiras acelerou as encomendas. Mais de 70% das receitas da empresa advêm da venda de DRAM, incluindo os módulos HBM, cuja produção deste ano já está totalmente comprometida, impulsionando significativamente os resultados financeiros.
Concorrência intensifica-se, mas liderança mantida
O desafio agora para a SK Hynix é manter a liderança perante o avanço dos concorrentes. Empresas como a norte-americana Micron começaram recentemente a fornecer produtos HBM3E à Nvidia, enquanto a Samsung avança para a produção em massa de memórias HBM4. Analistas da Goldman Sachs já anteciparam uma intensificação da competição e a possibilidade de queda nos preços destas memórias, fatores que fizeram as ações da SK Hynix recuarem 9% recentemente.
Apesar disso, o vice-presidente Kim Ki-tae garantiu que o mercado de HBM continuará a crescer rapidamente, sendo este tipo de memória crucial para o desenvolvimento da IA. Destacou ainda a vantagem da SK Hynix como pioneira na oferta personalizada e na colaboração com clientes neste segmento.
Investimento reforçado para responder à procura
Em resposta ao contexto de mercado, a SK Hynix decidiu aumentar o investimento em infraestruturas de produção de HBM, prevendo limitar possíveis descidas de preços devido à complexidade crescente dos processos de fabrico das novas gerações. O plano passa pela entrada em funcionamento, já no quarto trimestre, da nova fábrica M15X em Cheongju, e pelo início da operação de uma unidade em Yongin em 2027.
A empresa também referiu que as negociações com grandes tecnológicas para fornecimento de HBM estão a decorrer de forma positiva, sendo capaz de responder de forma flexível às exigências de volume e qualidade dos clientes. Especialistas do setor consideram que, dada a dificuldade técnica, apenas a SK Hynix e a Micron conseguem atualmente produzir memórias HBM ao nível exigido pelos gigantes da tecnologia, o que aumenta a probabilidade de a empresa coreana continuar a ser a escolha preferida.
Expansão para além da HBM
Paralelamente ao investimento em HBM, a SK Hynix planeia continuar a inovar no segmento de memórias DRAM convencionais e NAND. Estão previstos lançamentos de novos produtos de alto desempenho, tanto para dispositivos móveis como para aplicações gráficas, além de soluções SSD de última geração para consumidores e empresas, antecipando o crescimento da procura por armazenamento rápido.
Perspectivas para o futuro
O recorde de resultados da SK Hynix reflete diretamente o aumento do investimento das grandes empresas globais em centros de dados para IA. Se esta tendência se mantiver, a expectativa é de que a empresa prolongue este ciclo de crescimento histórico durante o segundo semestre. Segundo a administração, o crescimento do mercado de HBM não oferece dúvidas, sustentado pela rápida expansão da IA e pela multiplicação de novas aplicações e serviços inteligentes.
Nova reserva contracíclica do Banco de Portugal impõe maior exigência de capital ao BCP
O Banco de Portugal anunciou a introdução de uma nova reserva de capital contracíclica de 0,75%, que incidirá sobre a exposição dos bancos ao setor privado não financeiro em Portugal. Esta medida está prevista para entrar em vigor a partir de 1 de janeiro de 2026, tanto numa base individual como consolidada.
A decisão insere-se na estratégia do regulador para reforçar a resiliência do sistema financeiro nacional face a eventuais choques económicos, num contexto em que os riscos para a estabilidade financeira aumentaram nos últimos anos. A reserva contracíclica pretende, assim, funcionar como um colchão adicional que os bancos terão de constituir para prevenir desequilíbrios nos ciclos económicos.
Segundo cálculos efetuados com base nos relatórios e contas de 2023, o banco que enfrentará o maior impacto desta medida é o BCP (Banco Comercial Português). O Jornal Económico analisou os Ativos Ponderados pelo Risco (RWA – Risk-Weighted Assets) das principais instituições financeiras do país e apurou que o BCP detinha, no final do ano passado, 39.751 milhões de euros em RWAs.
Aplicando a nova taxa de 0,75% sobre esse montante, o BCP terá de constituir uma reserva adicional de aproximadamente 297,9 milhões de euros. Trata-se, portanto, da maior almofada exigida entre os cinco maiores bancos a operar em Portugal.
Esta obrigação de reforço de capital poderá ter implicações diretas na estratégia de alocação de recursos do BCP, obrigando o banco a ajustar os seus planos de investimento, distribuição de dividendos ou até a sua política de concessão de crédito. Ainda que a medida só entre em vigor em 2026, as instituições terão de começar a preparar-se desde já para garantir o cumprimento dos requisitos regulamentares.
Recorde-se que a reserva contracíclica é uma ferramenta prudencial que tem vindo a ganhar relevância em vários mercados europeus, sobretudo em fases de crescimento económico mais prolongado, onde se acumulam vulnerabilidades financeiras. Ao exigir aos bancos que reforcem o seu capital em períodos de expansão, o regulador procura mitigar os efeitos de eventuais crises futuras.
No caso português, esta será a primeira vez que o Banco de Portugal estabelece uma taxa positiva para a reserva contracíclica, sinalizando uma mudança na perceção dos riscos associados à evolução do crédito ao setor privado. Os restantes bancos, embora com menor exposição do que o BCP, também terão de constituir reservas proporcionais ao seu nível de ativos ponderados pelo risco.
A medida reforça a tendência crescente de uma supervisão mais exigente no setor financeiro nacional, num momento em que os bancos portugueses apresentam níveis de capital mais robustos do que no passado, mas continuam a ser desafiados por um ambiente macroeconómico incerto e pelas exigências do novo quadro regulatório europeu.
Produção automóvel na Europa pode parar dentro de semanas devido à escassez de Terras Raras
A indústria automóvel europeia enfrenta uma ameaça iminente: a escassez de terras raras pode levar à interrupção da produção já nas próximas quatro a seis semanas. Estes materiais são essenciais para a fabricação de motores elétricos e baterias de veículos elétricos, e a sua disponibilidade está a ser fortemente condicionada por restrições impostas pela China.
A situação começou a agravar-se em abril, quando o governo chinês começou a limitar as exportações de metais de terras raras, exigindo licenças específicas. No entanto, o sistema para emitir essas licenças não estava plenamente operacional, o que resultou, na prática, num bloqueio das exportações. Isso provocou uma escassez preocupante para os fabricantes de motores elétricos, afetando sobretudo as construtoras ocidentais, incluindo as alemãs, altamente dependentes destes componentes.
Nos últimos dias, surgiram indícios de que Pequim começou a emitir algumas licenças de exportação. A Volkswagen confirmou ter recebido informações sobre a emissão limitada de autorizações. Também a empresa chinesa Baotou Tianhe Magnetics Technology, uma das maiores fornecedoras de ímanes de alto desempenho para grupos como Volkswagen, Bosch e Brose, anunciou que voltou a exportar.
Contudo, essa retoma parcial não resolve o problema. Fontes do setor alertam que, apesar de algumas licenças estarem a ser concedidas, permanece o risco de novas suspensões súbitas devido a alegadas falhas burocráticas. Além disso, segundo informações de bastidores, a exportação pode ser recusada se o destino final dos materiais for os Estados Unidos ou se se suspeitar que os produtos fabricados com essas matérias-primas serão vendidos no mercado norte-americano.
De acordo com Christian Grimmelt, especialista da consultora Berylls by AlixPartners, os stocks atualmente disponíveis nas fábricas europeias poderão esgotar-se em apenas quatro a seis semanas. Após esse prazo, será inevitável parar linhas de produção. Grimmelt teme que isso comprometa seriamente o avanço da mobilidade elétrica na Europa. Além disso, os preços destes materiais aumentaram entre 40% e 50% nos últimos meses, o que já está a pressionar os custos operacionais das fabricantes.
Apesar da gravidade da situação, os grandes grupos automóveis alemães têm-se mostrado cautelosos nas declarações públicas. A Mercedes-Benz, por exemplo, reconhece a incerteza, destacando a complexidade e volatilidade da situação, mas evita fazer previsões. A marca afirma estar a acompanhar atentamente o processo de atribuição de licenças, embora sublinhe que muitas variáveis continuam em movimento, dificultando análises definitivas.
Também o grupo Volkswagen, que inclui as marcas Audi e Porsche, recusou avançar com previsões. Afirmou, no entanto, que, por enquanto, não existem ruturas no fornecimento de peças com terras raras e que os seus fornecedores estão a trabalhar ativamente com subfornecedores para garantir o acesso às licenças necessárias.
Analistas acreditam que a China está a usar esta incerteza como ferramenta estratégica. Ao manter os seus parceiros comerciais na dúvida e demonstrar poder sobre cadeias de abastecimento críticas, Pequim reforça a sua influência global. Este tipo de controlo lembra os choques logísticos durante os confinamentos chineses de 2021, quando navios ficaram parados à porta de portos chineses enquanto as autoridades testavam não só pessoas, mas também mercadorias, como salmão congelado, em busca do vírus da Covid-19.
Ouro valoriza com fraqueza do dólar e procura por ativos de refúgio
O preço do ouro registou uma valorização superior a 2% esta sexta-feira, impulsionado pela desvalorização do dólar e pelo aumento da procura por ativos considerados de refúgio, numa altura em que os mercados aguardam a próxima decisão de política monetária da Reserva Federal dos Estados Unidos (Fed), prevista para o final da semana.
O ouro à vista subiu 2,3%, atingindo os 3.315,62 dólares por onça às 9h44 (hora de Nova Iorque). Já os contratos futuros de ouro nos Estados Unidos registaram um aumento de 2,5%, para 3.324,50 dólares por onça.
O índice do dólar, que mede o desempenho da moeda norte-americana face a uma cesta de outras divisas, caiu 0,5%. Esta descida torna o ouro mais acessível para investidores que utilizam outras moedas, aumentando assim a atratividade do metal precioso.
A tensão no panorama internacional também contribuiu para o cenário favorável ao ouro. O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou no domingo uma tarifa de 100% sobre filmes produzidos no estrangeiro, reacendendo os receios em torno das consequências de uma potencial guerra comercial global.
Segundo Jim Wyckoff, analista sénior da Kitco Metals, “estamos a assistir a um fluxo contínuo de procura por ativos de refúgio, o que tem mantido os preços do ouro em alta. No curto prazo, é provável que o ouro continue a negociar acima dos 3.000 dólares.”
Wyckoff acrescentou ainda que “não se espera qualquer alteração nas taxas de juro na reunião da Fed, mas o mercado estará atento aos sinais que indiquem uma possível mudança de direção da política monetária.”
Os investidores aguardam com expectativa as declarações do presidente da Fed, Jerome Powell, marcadas para quarta-feira, na esperança de obter pistas sobre o rumo futuro das taxas de juro. Desde dezembro, a taxa de juro diretora da Fed tem sido mantida entre 4,25% e 4,50%.
Embora o mercado espere que as taxas permaneçam inalteradas nesta reunião, poderá ser a última vez que a decisão se revele tão previsível. A imposição das novas tarifas por parte da administração Trump lançou uma sombra de incerteza sobre as perspetivas económicas.
O ouro, tradicionalmente visto como uma proteção contra períodos de instabilidade e um ativo favorecido em ambientes de taxas de juro baixas, tem beneficiado de forma significativa. Em 2025, o metal já valorizou 26,3%, tendo alcançado vários máximos históricos ao longo do ano.
O banco Goldman Sachs prevê que o ouro continue a superar o desempenho da prata. Contudo, dada a forte correlação entre ambos os metais, espera-se que a procura renovada por ouro em 2025 também impulsione os preços da prata.
Neste mesmo contexto, a prata à vista registou um aumento de 1,3%, situando-se nos 32,39 dólares por onça. O preço do platina também subiu 0,4%, para 963,76 dólares. Em contrapartida, o paládio caiu 0,7%, fixando-se nos 947,15 dólares.