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A encruzilhada da DJI: Mergulhos em FPV a preço de saldo ou o duelo dos pesos-pluma

Quem anda à caça de um drone depara-se hoje com um mercado inundado de opções que quase exigem um manual de sobrevivência para decifrar. O chamamento da adrenalina é forte, sobretudo quando a Amazon decide atirar o preço do DJI Avata 2 Pack a pique. Estamos a falar de um trambolhão dos habituais 944,36 € para uns bem mais simpáticos 802,05 €. Não é todos os dias que se apanha um desconto destes num dos aparelhos FPV mais cobiçados do momento, ostentando as suas honrosas 4,5 estrelas em milhares de avaliações. Para quem tem o bichinho do voo em primeira pessoa, a promessa é brutal: uma câmara 4K ultra grande-angular com 155 graus de campo de visão, os DJI Goggles N3 na cabeça e o controlo por movimentos do RC Motion 3 a fazer parecer que qualquer leigo afinal nasceu para os ares. Até o modo ACRO, terror das primeiras viagens, se despacha com um simples toque, permitindo arrancar flips e rolls sem grandes dramas.

Mas a verdade é que nem toda a gente quer andar a rasgar os céus em manobras acrobáticas. Há quem prefira a calma da captação tradicional, um voo mais tático, e é aí que a conversa aquece com as novas mini-drones da marca: a Lito 1 e a Lito X1. Dois modelos compactos, mas com uma diferença de preços que convida à reflexão. Na versão base, a Lito 1 sai por cerca de 340 euros, enquanto a X1 salta de imediato para os 420. A questão lógica que se impõe é se a fatura mais pesada traz assim tanta vantagem a reboque. A resposta curta é um redondo nim, porque o diabo esconde-se, como sempre, na lista de compras adicional.

Se olharmos puramente para o pacote básico, onde a imagem da câmara vai ter ao ecrã do telemóvel através do simples comando RC-N3, a X1 custa efetivamente mais 80 euros. Acontece que quem compra um drone raramente se fica pela bateria que vem na caixa. Ao espreitar os conjuntos Fly-More, que atiram para a mesa baterias extra, saco de transporte e estação de carregamento, o fosso encolhe de forma drástica. A Lito 1 passa a rondar os 470 euros e a X1 fixa-se nos 510. E se a carteira permitir a extravagância de ir para a versão X1 testada de 660 euros, leva-se para casa o comando RC 2 com ecrã próprio, um luxo a que a irmã mais nova não tem direito, já que a Lito 1 pura e simplesmente não suporta este comando.

Quando metemos os dois Litos no ar, a primeira surpresa vem precisamente do modelo mais barato. A Lito 1 não se acanha perante a irmã maior. Levanta voo com enorme limpeza, aguenta-se firme lá em cima e responde aos comandos com uma precisão assinalável. Até na autonomia a coisa é renhida, com a Lito 1 a aguentar 32 minutos e 30 segundos, perdendo por meros oito segundos para a X1. Para o mais elementar da pilotagem – descolar, fazer umas curvas e aterrar o bicho inteiro – a versão base cumpre a missão de caras, sem vacilar.

A narrativa muda de figura quando dissecamos a imagem e as entranhas tecnológicas dos aparelhos. No papel, a distância parece residual: a X1 tira fotos com 8064×6048 píxeis contra os 8000×6000 da Lito 1, e ambas gravam vídeo em 4K a 100 fps, além de fazerem clipes verticais a 2,7K. Só que a lente nunca mente. A Lito 1 é porreira para uns vídeos descontraídos, mas posta lado a lado com a X1, acusa alguma fadiga. A imagem sofre de um nervosismo superior, os detalhes finos perdem recorte, as zonas escuras fundem-se cedo demais e as cores surgem invariavelmente mais pálidas. A X1 ganha claro avanço nos 1080p (Full HD) ao permitir uns robustos 200 fotogramas por segundo, face aos 100 da adversária, e não brinca nas curtas distâncias. Enquanto a Lito 1 só consegue focar o alvo a partir dos quatro metros, a X1 tranca a imagem logo a um metro de distância. Juntem-se a isto 42 GB de memória interna e um sensor laser frontal dedicado à deteção de obstáculos, e percebe-se rapidamente para onde foi o dinheiro extra. Nenhuma delas vai acabar num estúdio de Hollywood, é certo, mas a X1 respira outro tipo de maturidade em voo.