A Nova Era da Polestar: Do Arrojado “Sem Vidro” 4 ao Imponente SUV 3
A Polestar já não é uma estranha nas nossas estradas. Depois de termos espremido a autonomia da marca numa viagem entre Lisboa e Faro com o Polestar 2, a construtora sueca decidiu baralhar as regras do jogo com uma ofensiva de peso, introduzindo o polémico Polestar 4 e o seu primeiro verdadeiro SUV, o Polestar 3. Juntámos as peças deste puzzle elétrico para perceber se há substância e utilidade real por trás de tanto exercício de estilo.
Design e Conceito: Cortar com o Passado
O Polestar 4, posicionado algures entre o 2 e o 3 (a numeração segue a ordem de lançamento e não a fita métrica), é um autêntico vira-cabeças. Trata-se de um SUV coupé 100% elétrico que tomou a ousada decisão de abolir um elemento que damos como garantido há mais de um século: o vidro traseiro. A justificação da marca, que partilha engenharia com a Geely, é que isto permite esticar a estrutura do tejadilho para trás, oferecendo imenso espaço em altura aos passageiros traseiros sem arruinar o coeficiente aerodinâmico. Confesso que não sou o maior fã desta omissão; as limitações notam-se particularmente à noite, com algum embaciamento da câmara traseira a pedir habituação ao espelho digital. Ainda assim, a silhueta desportiva arranca olhares curiosos em qualquer paragem.
Noutra frente, o novíssimo Polestar 3 de 2025 aborda o mercado com uma postura diferente. Sendo o primeiro SUV da marca — e o primeiro a ser fabricado nos Estados Unidos, na fábrica da Volvo na Carolina do Sul —, exibe uma linguagem limpa e moderna sem cair em exageros ou na estética utilitária de um “caixote”. Com 192,9 polegadas de comprimento (cerca de 4,90 metros), senta-se exatamente na fronteira entre os segmentos compacto e médio. Para garantir a eficiência, o 3 recorre a asas aerodinâmicas à frente e atrás, escondendo bem o seu porte atlético com jantes que podem ir das 20 às 22 polegadas.
A Experiência a Bordo e a Ditadura Digital
Ao entrarmos nestes modelos, o ADN premium partilhado é inegável. O habitáculo do Polestar 4 tem uma qualidade de construção irrepreensível. Os materiais de topo gritam luxo sem grande ostentação, e os bancos de trás são autênticas poltronas pensadas para devorar quilómetros.
O Polestar 3 segue a mesma cartilha minimalista. O chão plano cria um ambiente bastante arejado, complementado por um equipamento de série que não deixa ninguém a pedir mais: bancos dianteiros elétricos aquecidos, teto panorâmico, climatização tri-zona e um purificador de ar. Quem sobe na gama do 3 é brindado com pele Nappa, bancos com ventilação e massagem, portas com fecho suave e um sistema de som Bowers & Wilkins de 25 colunas que oferece uma experiência acústica avassaladora.
O calcanhar de Aquiles em ambos? A dependência quase total dos ecrãs. Com o sistema operativo Android Automotive a comandar as operações (através de um enorme ecrã vertical de 14,5 polegadas no 3), a escassez de botões físicos obriga a deambular por menus e a desviar os olhos da estrada com demasiada frequência.
Desempenho e Dinâmica: Da “Terrinha” às Vias Rápidas
Tivemos o Polestar 4 Long range Single motor nas mãos durante uma semana. O preço base de 64 900 € coloca-o num território exigente, mas a campanha a decorrer até ao final de fevereiro esmaga o valor para uns competitivos 52 600 €. Será que os 272 cv e 343 Nm de binário desta versão de tração traseira sabem a pouco para um bicho destas dimensões? Honestamente, não. Os 100 km/h chegam em 7,1 segundos, o que garante ultrapassagens seguras e uma condução bastante despachada, disfarçando incrivelmente bem o peso das baterias.
A caminho da “terrinha”, provou ser um estradista nato. A insonorização é excelente e a suspensão lida bem com o nosso asfalto, mesmo sem os truques pneumáticos da versão Dual Motor. A conversa muda de tom nas cidades. É um carro largo e comprido. Tentar enfiar este colosso em ruas estreitas ou parques subterrâneos antigos é garantia de suores frios, e embora as câmaras 360º deem uma ajuda valiosa, não encolhem a chapa.
Se o 4 já impõe respeito, o Polestar 3 eleva a fasquia da performance, assumindo-se como um elétrico focado no condutor. A gama arranca com uma versão de motor único, mas o verdadeiro “sweet spot” é a Long Range Dual Motor. O salto para a tração integral e para os 489 cv muda completamente o caráter do SUV, justificando plenamente o esforço financeiro em relação ao modelo base.
Especificações Chave do Polestar 3:
| Versão | Motorização | Potência | Binário | Tração | 0-60 mph (0-96 km/h) |
| LR Single Motor | Motor único | 295 hp | 361 lb-ft | RWD | 6.5 seg |
| LR Dual Motor | Motores duplos | 483 hp | 620 lb-ft | AWD | 4.9 seg |
| LR Dual Motor Performance | Motores duplos | 510 hp | 671 lb-ft |
Baterias, Autonomia e Vida Real
A bateria do Polestar 4 acena com 620 km no ciclo WLTP. Na crua realidade da autoestrada, com o pé mais pesado e o ar condicionado a trabalhar, a autonomia assenta confortavelmente entre os 350 e os 400 km. Carregar dos 10% aos 80% demora meia hora em postos rápidos (até 200 kW), tornando qualquer viagem longa perfeitamente exequível com pausas curtas para café.
No caso do Polestar 3, a autonomia é fortemente ditada pelo tamanho das jantes e pela configuração mecânica. As versões de motor único conseguem cobrir entre 333 e 350 milhas (cerca de 535 a 563 km), enquanto o guloso Dual Motor Performance Pack, calçado com jantes de 22 polegadas, vê esse valor cair para as 279 milhas (aproximadamente 449 km).
A bagageira do 4 engole 526 litros de carga, podendo expandir-se até aos 1536 litros com o rebatimento dos bancos, oferecendo um acesso facilitado pelo portão elétrico. O Polestar 3, por seu turno, acaba por ficar ligeiramente atrás de alguns rivais diretos no volume de carga puro, oferecendo 1,1 pés cúbicos no compartimento dianteiro (frunk) e entre 17,1 a 49,8 pés cúbicos na bagageira principal.
Ambos os modelos vêm suportados por uma garantia limitada de 4 anos ou 50.000 milhas (para o mercado onde o 3 foi inicialmente detalhado), e 8 anos ou 100.000 milhas para os componentes elétricos, cobrindo o essencial para quem dá agora o salto para a mobilidade elétrica de luxo.
A Polestar construiu duas máquinas capazes de tirar o sono à concorrência, nomeadamente à Tesla e às velhas glórias alemãs. Trazem para o alcatrão um arrojo estético que escasseava no segmento, uma dinâmica envolvente e cabines que respiram qualidade nórdica. Exigem alguma paciência na hora de estacionar e na navegação de menus, mas a ousadia compensa largamente quem procura fugir do rebanho elétrico habitual.
A encruzilhada da DJI: Mergulhos em FPV a preço de saldo ou o duelo dos pesos-pluma
Quem anda à caça de um drone depara-se hoje com um mercado inundado de opções que quase exigem um manual de sobrevivência para decifrar. O chamamento da adrenalina é forte, sobretudo quando a Amazon decide atirar o preço do DJI Avata 2 Pack a pique. Estamos a falar de um trambolhão dos habituais 944,36 € para uns bem mais simpáticos 802,05 €. Não é todos os dias que se apanha um desconto destes num dos aparelhos FPV mais cobiçados do momento, ostentando as suas honrosas 4,5 estrelas em milhares de avaliações. Para quem tem o bichinho do voo em primeira pessoa, a promessa é brutal: uma câmara 4K ultra grande-angular com 155 graus de campo de visão, os DJI Goggles N3 na cabeça e o controlo por movimentos do RC Motion 3 a fazer parecer que qualquer leigo afinal nasceu para os ares. Até o modo ACRO, terror das primeiras viagens, se despacha com um simples toque, permitindo arrancar flips e rolls sem grandes dramas.
Mas a verdade é que nem toda a gente quer andar a rasgar os céus em manobras acrobáticas. Há quem prefira a calma da captação tradicional, um voo mais tático, e é aí que a conversa aquece com as novas mini-drones da marca: a Lito 1 e a Lito X1. Dois modelos compactos, mas com uma diferença de preços que convida à reflexão. Na versão base, a Lito 1 sai por cerca de 340 euros, enquanto a X1 salta de imediato para os 420. A questão lógica que se impõe é se a fatura mais pesada traz assim tanta vantagem a reboque. A resposta curta é um redondo nim, porque o diabo esconde-se, como sempre, na lista de compras adicional.
Se olharmos puramente para o pacote básico, onde a imagem da câmara vai ter ao ecrã do telemóvel através do simples comando RC-N3, a X1 custa efetivamente mais 80 euros. Acontece que quem compra um drone raramente se fica pela bateria que vem na caixa. Ao espreitar os conjuntos Fly-More, que atiram para a mesa baterias extra, saco de transporte e estação de carregamento, o fosso encolhe de forma drástica. A Lito 1 passa a rondar os 470 euros e a X1 fixa-se nos 510. E se a carteira permitir a extravagância de ir para a versão X1 testada de 660 euros, leva-se para casa o comando RC 2 com ecrã próprio, um luxo a que a irmã mais nova não tem direito, já que a Lito 1 pura e simplesmente não suporta este comando.
Quando metemos os dois Litos no ar, a primeira surpresa vem precisamente do modelo mais barato. A Lito 1 não se acanha perante a irmã maior. Levanta voo com enorme limpeza, aguenta-se firme lá em cima e responde aos comandos com uma precisão assinalável. Até na autonomia a coisa é renhida, com a Lito 1 a aguentar 32 minutos e 30 segundos, perdendo por meros oito segundos para a X1. Para o mais elementar da pilotagem – descolar, fazer umas curvas e aterrar o bicho inteiro – a versão base cumpre a missão de caras, sem vacilar.
A narrativa muda de figura quando dissecamos a imagem e as entranhas tecnológicas dos aparelhos. No papel, a distância parece residual: a X1 tira fotos com 8064×6048 píxeis contra os 8000×6000 da Lito 1, e ambas gravam vídeo em 4K a 100 fps, além de fazerem clipes verticais a 2,7K. Só que a lente nunca mente. A Lito 1 é porreira para uns vídeos descontraídos, mas posta lado a lado com a X1, acusa alguma fadiga. A imagem sofre de um nervosismo superior, os detalhes finos perdem recorte, as zonas escuras fundem-se cedo demais e as cores surgem invariavelmente mais pálidas. A X1 ganha claro avanço nos 1080p (Full HD) ao permitir uns robustos 200 fotogramas por segundo, face aos 100 da adversária, e não brinca nas curtas distâncias. Enquanto a Lito 1 só consegue focar o alvo a partir dos quatro metros, a X1 tranca a imagem logo a um metro de distância. Juntem-se a isto 42 GB de memória interna e um sensor laser frontal dedicado à deteção de obstáculos, e percebe-se rapidamente para onde foi o dinheiro extra. Nenhuma delas vai acabar num estúdio de Hollywood, é certo, mas a X1 respira outro tipo de maturidade em voo.
MediaMarkt Desaparece de Portugal Enquanto JD Prepara Compra Bilionária da Empresa-Mãe
A mudança de identidade em solo português
A paisagem do retalho tecnológico em Portugal está prestes a mudar. A marca MediaMarkt tem os dias contados no país, cedendo definitivamente o lugar à insígnia francesa Darty. Esta transformação profunda acontece dois anos após a aquisição das operações locais pelo grupo Fnac Darty. Na prática, a mudança arranca já amanhã na loja de Sintra, que será o primeiro espaço a ostentar a nova identidade visual e comercial. A partir daí, o processo de transição vai alargar-se gradualmente às restantes oito grandes superfícies de tecnologia e eletrodomésticos espalhadas pelo território nacional, prevendo-se que toda a operação esteja totalmente concluída no dia 1 de outubro.
O apetite chinês pelo mercado europeu
Se a nível local a marca é absorvida por um grupo francês, no plano internacional a empresa-mãe da MediaMarkt encontra-se no centro de um negócio de proporções gigantescas. A JD, uma autêntica titã chinesa do comércio eletrónico, está neste momento em negociações avançadas para adquirir a alemã Ceconomy. A holding germânica, que está cotada na Bolsa de Frankfurt e detém as conhecidas cadeias MediaMarkt e Saturn, já confirmou publicamente a existência destas conversações. A empresa ressalva, no entanto, que ainda não foi assinado qualquer acordo vinculativo entre as partes.
Segundo as informações avançadas pela agência Reuters, a concretizar-se, esta operação financeira avaliará o negócio em cerca de 2,2 mil milhões de euros (aproximadamente 2,59 mil milhões de dólares). Para a JD, este é um passo estratégico de enorme peso. A compra da Ceconomy não só garantiria um acesso privilegiado a uma das maiores plataformas online de eletrónica de toda a Europa, como entregaria o controlo de uma vasta rede física composta por cerca de mil lojas em vários países europeus, suportada por uma força de trabalho de 50 mil funcionários. O interesse oriental pelo mercado europeu, aliás, não é de agora. Já no ano passado, a JD tinha ponderado avançar para a aquisição da retalhista britânica Currys, mas as negociações acabaram por não ter desenvolvimentos conhecidos desde essa altura.
Guerra de preços e otimismo nos mercados
Curiosamente, este movimento ambicioso de expansão global surge numa fase de alguma volatilidade para os títulos da JD cotados nos Estados Unidos. As ações da gigante chinesa acumulam uma queda de 24% desde o pico alcançado a 18 de março de 2025. O mercado e os analistas financeiros têm demonstrado particular preocupação com os avultados investimentos da empresa no altamente competitivo setor das entregas de comida na China. Com o lançamento do serviço JD Takeaway em fevereiro, a marca mergulhou numa agressiva guerra de preços contra pesos pesados como a Meituan e a plataforma Ele.me, pertencente à Alibaba.
Apesar deste revés inicial associado ao mercado alimentar, o cenário mais recente é de clara recuperação. As ações subiram quase 6% apenas nas últimas seis sessões. Nas plataformas de análise e sentimento de retalho, como o Stocktwits, embora o ânimo dos investidores tenha arrefecido ligeiramente, a tendência dominante mantém-se firmemente em terreno otimista. Há inclusivamente utilizadores e especialistas a apontar para uma rutura técnica positiva no gráfico das ações da empresa, um sinal claro de que existe um grande potencial de subida a curto prazo nos mercados financeiros.
Millennium BCP bate recorde de lucros e mobiliza apoios para as vítimas da depressão Kristin
O Millennium BCP fechou o ano com resultados históricos, mas a atenção da instituição está agora dividida com a tragédia que atingiu grande parte do país. Num momento em que o maior banco português cotado em bolsa anuncia lucros recorde impulsionados pela sua operação na Polónia, a administração avança em simultâneo com um forte pacote de medidas financeiras. O objetivo é ajudar as famílias e as empresas a recuperarem da devastação causada pela passagem da depressão Kristin.
Um ano de lucros inéditos
Na passada quarta-feira, a instituição financeira revelou que o seu lucro líquido referente a 2025 subiu 12%, fixando-se na marca recorde de 1,02 mil milhões de euros. Este desempenho superou as próprias expectativas do mercado, que, de acordo com uma sondagem da LSEG, apontavam para lucros a rondar os 996 milhões de euros. A alavancar estas contas esteve a subsidiária polaca, detida a 50% pelo BCP. O Bank Millennium viu o seu resultado líquido disparar 67% para os 283,7 milhões de euros, um crescimento notável, sobretudo se tivermos em conta os pesados encargos que a sucursal ainda enfrenta relativos à sua carteira de crédito habitação em francos suíços.
Com as contas em alta, a estratégia passa por recompensar fortemente quem investe. O banco prepara-se para propor na próxima assembleia-geral a distribuição de 50% do resultado líquido em dividendos até 2028. Ao juntar a esta medida um programa regular de recompra de ações, a remuneração total aos acionistas poderá atingir os 90% dos lucros, um salto significativo face ao atual limite de 75%.
O rasto de destruição do temporal
Enquanto os números sobem nas praças financeiras, o cenário no terreno em Portugal continental é de reconstrução. A depressão Kristin varreu o território nacional na quarta-feira e deixou marcas profundas. Segundo a Proteção Civil, o temporal causou a morte a pelo menos cinco pessoas, contabilizando-se ainda uma outra vítima mortal no concelho da Marinha Grande. Além da perda de vidas humanas, há registo de vários feridos e desalojados.
A força dos elementos deitou abaixo árvores e estruturas de grande porte. Várias estradas e serviços de transporte, com particular incidência nas linhas ferroviárias, ficaram cortados ou fortemente condicionados. Escolas fecharam portas e houve falhas generalizadas no fornecimento de energia, água e comunicações. Leiria foi a porta de entrada da tempestade e, juntamente com Coimbra e Santarém, forma o grupo dos distritos que registaram os maiores estragos materiais.
Linhas de apoio para reerguer a economia
Foi precisamente para dar uma resposta célere a esta calamidade que o BCP e o ActivoBank criaram um conjunto de soluções financeiras de apoio. As medidas não têm um montante máximo pré-definido, estando apenas dependentes da aprovação de risco por parte da instituição. Miguel Maya, o presidente executivo do banco, fez questão de sublinhar que o BCP está ao lado dos clientes nestes momentos de inesperadas dificuldades, garantindo que o plano desenhado vai permitir que as pessoas e as empresas afetadas recuperem a normalidade das suas vidas o mais rápido possível.
Para as famílias, o banco oferece um balão de oxigénio sob a forma de moratórias de três meses nos empréstimos. Existe também a possibilidade de antecipar as indemnizações dos seguros multirriscos, tudo sem qualquer cobrança de comissões e com spread zero. Quem precisar de avançar com a reconstrução de casa tem acesso a crédito hipotecário isento de comissões e com spread zero durante os primeiros 24 meses, aplicando-se depois uma taxa bonificada. No caso do crédito pessoal, estas mesmas condições de isenção aplicam-se no primeiro ano.
O tecido empresarial local tem igualmente apoios desenhados à medida. As empresas afetadas podem pedir a suspensão do pagamento do serviço da dívida durante três meses. Para manterem a tesouraria a funcionar, têm à disposição linhas de crédito de curto prazo que lhes permitem antecipar os valores que esperam receber, também sem comissões e com spread zero. Já para financiar a recuperação e a reconstrução dos negócios a médio prazo, o banco disponibiliza financiamento a cinco anos, com um período de carência de capital de 12 meses. Durante este primeiro ano de arranque, os empresários ficam isentos de comissões e a taxa de juro aplica-se com um spread de 0%.
A Nova Ordem Mundial dos Semicondutores: A Ascensão da Nvidia e os Danos Colaterais
A procura insaciável por capacidade de processamento de inteligência artificial provocou uma verdadeira reviravolta na hierarquia tecnológica global. A Nvidia, gigante indiscutível das unidades de processamento gráfico, destronou a Apple como o maior cliente da TSMC, uma mudança tectónica confirmada por fontes próximas da indústria e corroborada pela postura do CEO da Nvidia, Jensen Huang. Este reajuste não é apenas simbólico; representa o fim de uma era de privilégios exclusivos para a empresa de Cupertino e desencadeia uma série de consequências que se estendem desde as linhas de montagem da Intel até aos computadores dos consumidores domésticos e às complexas relações comerciais com a China.
O Fim do Tratamento Preferencial da Apple
Durante anos, a Apple gozou de um estatuto ímpar junto da fabricante taiwanesa TSMC. A empresa beneficiava de prioridade absoluta no acesso a novos processos de fabrico e, num arranjo comercial extremamente raro, estava isenta de pagar pelos dies defeituosos. Contudo, perante a explosão da procura por chips de IA, o volume de negócios da Apple deixou de ser o único pilar central para a TSMC. Rumores credíveis indicam que a Apple está a perder estas regalias, sendo forçada a competir pela capacidade de produção em pé de igualdade com outros clientes e a enfrentar aumentos de preços substanciais.
Neste cenário de reconfiguração, surge um vencedor improvável: a Intel. Analistas de mercado têm revisto em alta as ações da tecnológica norte-americana, impulsionados pela forte possibilidade de a Apple estar prestes a recorrer às fábricas da Intel para a produção de alguns dos seus processadores. Especula-se que a Apple considera utilizar o processo “Intel 18A” para os seus chips da série M de gama baixa e o futuro processo “Intel 14A”, previsto para 2027, para componentes do iPhone. Esta diversificação estratégica, que poderia envolver entre 15 a 20 milhões de chips anualmente, surge como uma necessidade vital para a Apple garantir o abastecimento dos seus produtos previstos para o final da década.
O Mercado de Consumo em Segundo Plano
Enquanto a Nvidia consolida o seu domínio no setor empresarial, o mercado de jogos e consumo doméstico prepara-se para absorver o impacto negativo desta estratégia. Informações recentes sugerem que a Nvidia planeia suspender a produção da série GeForce RTX 50, incluindo o modelo RTX 5060, durante os próximos seis meses. A decisão, motivada por um “excesso de reservas” nas vendas de IA e pela consequente escassez de memória, coloca o setor de gaming numa posição delicada.
Fontes da indústria apontam que a prioridade total dada ao cumprimento das encomendas de inteligência artificial levou ao cancelamento efetivo ou adiamento indefinido de modelos intermédios, como as versões Ti. Embora as variantes com menor capacidade de memória possam continuar a chegar ao mercado, fá-lo-ão a conta-gotas e com volumes reduzidos. Estima-se que a normalização da oferta apenas ocorra no último trimestre de 2026, acompanhada de um agravamento generalizado dos preços na ordem dos 30%, refletindo o aumento dos custos dos componentes base.
O Impasse Geopolítico e o “Momento Boeing” da Nvidia
A complexidade da situação da Nvidia não se resume apenas à gestão da produção, estendendo-se perigosamente à arena geopolítica. A exportação do chip H200 para a China encontra-se num impasse crítico. O que inicialmente parecia ser um acordo de partilha de receitas — onde o governo dos EUA arrecadaria uma taxa de 25% sobre as vendas — revelou-se, na prática, um mecanismo tarifário que a China parece não estar disposta a aceitar.
As notícias mais recentes dão conta de que a China está a recusar os envios destes chips avançados, colocando em risco encomendas avaliadas em 30 mil milhões de dólares. Este bloqueio comercial evoca paralelos preocupantes com a situação vivida pela Boeing durante a anterior guerra comercial, onde a empresa aeronáutica se viu apanhada no fogo cruzado diplomático. A incerteza em torno do mercado chinês, que poderá estar a usar esta recusa como alavanca negocial ou simplesmente a reagir a uma “taxa de exportação” forçada, demonstra como a Nvidia se tornou, involuntariamente, num peão central nas tensões comerciais entre as duas superpotências, transformando o seu sucesso tecnológico num desafio de gestão de risco sem precedentes.
Combustíveis voltam a subir na próxima semana num contexto de instabilidade global
Se ainda não abasteceu o carro, talvez seja boa ideia fazê-lo antes do fim de semana. A tendência de descida a que assistimos recentemente inverteu-se e, a partir da próxima segunda-feira, dia 16 de junho, os preços vão voltar a agravar-se. Segundo informações avançadas pela SIC Notícias, o aumento será transversal tanto ao gasóleo como à gasolina.
Esta será a segunda semana consecutiva de subidas. As previsões apontam para um encarecimento de 1,5 cêntimos por litro no gasóleo e de 1,0 cêntimo por litro na gasolina. Em termos práticos, e olhando para os valores médios, isto significa que o preço do gasóleo poderá saltar para os 1,533 euros, enquanto a gasolina deverá fixar-se nos 1,689 euros.
Naturalmente, estes valores podem oscilar dependendo do posto de abastecimento. Para quem procura minimizar o impacto na carteira, a recomendação passa por consultar o Portal Preços dos Combustíveis Online. Esta ferramenta permite filtrar a pesquisa por distrito, município ou marca, facilitando a comparação de preços e uma decisão mais informada na hora de encher o depósito.
O inverno e a geopolítica pressionam os mercados
Este agravamento nos preços em Portugal não é um caso isolado, mas sim o reflexo de uma negociação instável nos mercados internacionais de matérias-primas. Os futuros do petróleo têm registado uma tendência de alta, impulsionados fundamentalmente pelo aumento da procura de combustível para aquecimento.
Phil Flynn, do Price Futures Group, nota que as baixas temperaturas estão a dar um suporte decisivo ao mercado, especificamente no “heating oil”. A contribuir para o otimismo dos investidores está também a Agência Internacional de Energia (AIE), que reviu novamente em alta as suas previsões de procura global. Curiosamente, os futuros do diesel em Nova Iorque (Nymex) subiram uns expressivos 3,2%, o que se alinha com o aumento do gasóleo que sentiremos cá.
Tensões diplomáticas e excesso de oferta
Do lado da geopolítica, o cenário permanece complexo, embora alguns focos de tensão tenham arrefecido. Em Davos, o Presidente Trump procurou tranquilizar os ânimos relativamente à Gronelândia, garantindo que os EUA não usarão a força para controlar o território, apesar de insistir na necessidade estratégica de possuir a ilha. Este dossiê, contudo, teve pouco impacto real nas cotações, com os investidores mais focados na Venezuela e no Irão.
Sobre o Irão, tem havido um “silêncio ensurdecedor” nos últimos dias, o que mantém o mercado em alerta. Já em relação à Venezuela, Chris Wright, Secretário da Energia dos EUA, alertou que o país poderá aumentar a sua produção petrolífera mais depressa do que os analistas antecipam. Segundo Marcus McGregor, da gestora de ativos Conning, embora o Irão possa vir a ser um ponto de viragem, o pano de fundo atual continua a ser o de um mercado global com excesso de oferta, o que serve de “âncora” e impede subidas ainda mais drásticas.
No fecho das contas internacionais, o crude WTI tem oscilado na casa dos 60 dólares (fechando a sessão nos 60,62 dólares numa estreia do contrato de março, embora com ligeiras variações posteriores), enquanto o Brent se situa nos 64,85 dólares por barril.