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Millennium BCP bate recorde de lucros e mobiliza apoios para as vítimas da depressão Kristin

O Millennium BCP fechou o ano com resultados históricos, mas a atenção da instituição está agora dividida com a tragédia que atingiu grande parte do país. Num momento em que o maior banco português cotado em bolsa anuncia lucros recorde impulsionados pela sua operação na Polónia, a administração avança em simultâneo com um forte pacote de medidas financeiras. O objetivo é ajudar as famílias e as empresas a recuperarem da devastação causada pela passagem da depressão Kristin.

Um ano de lucros inéditos

Na passada quarta-feira, a instituição financeira revelou que o seu lucro líquido referente a 2025 subiu 12%, fixando-se na marca recorde de 1,02 mil milhões de euros. Este desempenho superou as próprias expectativas do mercado, que, de acordo com uma sondagem da LSEG, apontavam para lucros a rondar os 996 milhões de euros. A alavancar estas contas esteve a subsidiária polaca, detida a 50% pelo BCP. O Bank Millennium viu o seu resultado líquido disparar 67% para os 283,7 milhões de euros, um crescimento notável, sobretudo se tivermos em conta os pesados encargos que a sucursal ainda enfrenta relativos à sua carteira de crédito habitação em francos suíços.

Com as contas em alta, a estratégia passa por recompensar fortemente quem investe. O banco prepara-se para propor na próxima assembleia-geral a distribuição de 50% do resultado líquido em dividendos até 2028. Ao juntar a esta medida um programa regular de recompra de ações, a remuneração total aos acionistas poderá atingir os 90% dos lucros, um salto significativo face ao atual limite de 75%.

O rasto de destruição do temporal

Enquanto os números sobem nas praças financeiras, o cenário no terreno em Portugal continental é de reconstrução. A depressão Kristin varreu o território nacional na quarta-feira e deixou marcas profundas. Segundo a Proteção Civil, o temporal causou a morte a pelo menos cinco pessoas, contabilizando-se ainda uma outra vítima mortal no concelho da Marinha Grande. Além da perda de vidas humanas, há registo de vários feridos e desalojados.

A força dos elementos deitou abaixo árvores e estruturas de grande porte. Várias estradas e serviços de transporte, com particular incidência nas linhas ferroviárias, ficaram cortados ou fortemente condicionados. Escolas fecharam portas e houve falhas generalizadas no fornecimento de energia, água e comunicações. Leiria foi a porta de entrada da tempestade e, juntamente com Coimbra e Santarém, forma o grupo dos distritos que registaram os maiores estragos materiais.

Linhas de apoio para reerguer a economia

Foi precisamente para dar uma resposta célere a esta calamidade que o BCP e o ActivoBank criaram um conjunto de soluções financeiras de apoio. As medidas não têm um montante máximo pré-definido, estando apenas dependentes da aprovação de risco por parte da instituição. Miguel Maya, o presidente executivo do banco, fez questão de sublinhar que o BCP está ao lado dos clientes nestes momentos de inesperadas dificuldades, garantindo que o plano desenhado vai permitir que as pessoas e as empresas afetadas recuperem a normalidade das suas vidas o mais rápido possível.

Para as famílias, o banco oferece um balão de oxigénio sob a forma de moratórias de três meses nos empréstimos. Existe também a possibilidade de antecipar as indemnizações dos seguros multirriscos, tudo sem qualquer cobrança de comissões e com spread zero. Quem precisar de avançar com a reconstrução de casa tem acesso a crédito hipotecário isento de comissões e com spread zero durante os primeiros 24 meses, aplicando-se depois uma taxa bonificada. No caso do crédito pessoal, estas mesmas condições de isenção aplicam-se no primeiro ano.

O tecido empresarial local tem igualmente apoios desenhados à medida. As empresas afetadas podem pedir a suspensão do pagamento do serviço da dívida durante três meses. Para manterem a tesouraria a funcionar, têm à disposição linhas de crédito de curto prazo que lhes permitem antecipar os valores que esperam receber, também sem comissões e com spread zero. Já para financiar a recuperação e a reconstrução dos negócios a médio prazo, o banco disponibiliza financiamento a cinco anos, com um período de carência de capital de 12 meses. Durante este primeiro ano de arranque, os empresários ficam isentos de comissões e a taxa de juro aplica-se com um spread de 0%.