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A Nova Ordem Mundial dos Semicondutores: A Ascensão da Nvidia e os Danos Colaterais

A procura insaciável por capacidade de processamento de inteligência artificial provocou uma verdadeira reviravolta na hierarquia tecnológica global. A Nvidia, gigante indiscutível das unidades de processamento gráfico, destronou a Apple como o maior cliente da TSMC, uma mudança tectónica confirmada por fontes próximas da indústria e corroborada pela postura do CEO da Nvidia, Jensen Huang. Este reajuste não é apenas simbólico; representa o fim de uma era de privilégios exclusivos para a empresa de Cupertino e desencadeia uma série de consequências que se estendem desde as linhas de montagem da Intel até aos computadores dos consumidores domésticos e às complexas relações comerciais com a China.

O Fim do Tratamento Preferencial da Apple

Durante anos, a Apple gozou de um estatuto ímpar junto da fabricante taiwanesa TSMC. A empresa beneficiava de prioridade absoluta no acesso a novos processos de fabrico e, num arranjo comercial extremamente raro, estava isenta de pagar pelos dies defeituosos. Contudo, perante a explosão da procura por chips de IA, o volume de negócios da Apple deixou de ser o único pilar central para a TSMC. Rumores credíveis indicam que a Apple está a perder estas regalias, sendo forçada a competir pela capacidade de produção em pé de igualdade com outros clientes e a enfrentar aumentos de preços substanciais.

Neste cenário de reconfiguração, surge um vencedor improvável: a Intel. Analistas de mercado têm revisto em alta as ações da tecnológica norte-americana, impulsionados pela forte possibilidade de a Apple estar prestes a recorrer às fábricas da Intel para a produção de alguns dos seus processadores. Especula-se que a Apple considera utilizar o processo “Intel 18A” para os seus chips da série M de gama baixa e o futuro processo “Intel 14A”, previsto para 2027, para componentes do iPhone. Esta diversificação estratégica, que poderia envolver entre 15 a 20 milhões de chips anualmente, surge como uma necessidade vital para a Apple garantir o abastecimento dos seus produtos previstos para o final da década.

O Mercado de Consumo em Segundo Plano

Enquanto a Nvidia consolida o seu domínio no setor empresarial, o mercado de jogos e consumo doméstico prepara-se para absorver o impacto negativo desta estratégia. Informações recentes sugerem que a Nvidia planeia suspender a produção da série GeForce RTX 50, incluindo o modelo RTX 5060, durante os próximos seis meses. A decisão, motivada por um “excesso de reservas” nas vendas de IA e pela consequente escassez de memória, coloca o setor de gaming numa posição delicada.

Fontes da indústria apontam que a prioridade total dada ao cumprimento das encomendas de inteligência artificial levou ao cancelamento efetivo ou adiamento indefinido de modelos intermédios, como as versões Ti. Embora as variantes com menor capacidade de memória possam continuar a chegar ao mercado, fá-lo-ão a conta-gotas e com volumes reduzidos. Estima-se que a normalização da oferta apenas ocorra no último trimestre de 2026, acompanhada de um agravamento generalizado dos preços na ordem dos 30%, refletindo o aumento dos custos dos componentes base.

O Impasse Geopolítico e o “Momento Boeing” da Nvidia

A complexidade da situação da Nvidia não se resume apenas à gestão da produção, estendendo-se perigosamente à arena geopolítica. A exportação do chip H200 para a China encontra-se num impasse crítico. O que inicialmente parecia ser um acordo de partilha de receitas — onde o governo dos EUA arrecadaria uma taxa de 25% sobre as vendas — revelou-se, na prática, um mecanismo tarifário que a China parece não estar disposta a aceitar.

As notícias mais recentes dão conta de que a China está a recusar os envios destes chips avançados, colocando em risco encomendas avaliadas em 30 mil milhões de dólares. Este bloqueio comercial evoca paralelos preocupantes com a situação vivida pela Boeing durante a anterior guerra comercial, onde a empresa aeronáutica se viu apanhada no fogo cruzado diplomático. A incerteza em torno do mercado chinês, que poderá estar a usar esta recusa como alavanca negocial ou simplesmente a reagir a uma “taxa de exportação” forçada, demonstra como a Nvidia se tornou, involuntariamente, num peão central nas tensões comerciais entre as duas superpotências, transformando o seu sucesso tecnológico num desafio de gestão de risco sem precedentes.

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Combustíveis voltam a subir na próxima semana num contexto de instabilidade global

Se ainda não abasteceu o carro, talvez seja boa ideia fazê-lo antes do fim de semana. A tendência de descida a que assistimos recentemente inverteu-se e, a partir da próxima segunda-feira, dia 16 de junho, os preços vão voltar a agravar-se. Segundo informações avançadas pela SIC Notícias, o aumento será transversal tanto ao gasóleo como à gasolina.

Esta será a segunda semana consecutiva de subidas. As previsões apontam para um encarecimento de 1,5 cêntimos por litro no gasóleo e de 1,0 cêntimo por litro na gasolina. Em termos práticos, e olhando para os valores médios, isto significa que o preço do gasóleo poderá saltar para os 1,533 euros, enquanto a gasolina deverá fixar-se nos 1,689 euros.

Naturalmente, estes valores podem oscilar dependendo do posto de abastecimento. Para quem procura minimizar o impacto na carteira, a recomendação passa por consultar o Portal Preços dos Combustíveis Online. Esta ferramenta permite filtrar a pesquisa por distrito, município ou marca, facilitando a comparação de preços e uma decisão mais informada na hora de encher o depósito.

O inverno e a geopolítica pressionam os mercados

Este agravamento nos preços em Portugal não é um caso isolado, mas sim o reflexo de uma negociação instável nos mercados internacionais de matérias-primas. Os futuros do petróleo têm registado uma tendência de alta, impulsionados fundamentalmente pelo aumento da procura de combustível para aquecimento.

Phil Flynn, do Price Futures Group, nota que as baixas temperaturas estão a dar um suporte decisivo ao mercado, especificamente no “heating oil”. A contribuir para o otimismo dos investidores está também a Agência Internacional de Energia (AIE), que reviu novamente em alta as suas previsões de procura global. Curiosamente, os futuros do diesel em Nova Iorque (Nymex) subiram uns expressivos 3,2%, o que se alinha com o aumento do gasóleo que sentiremos cá.

Tensões diplomáticas e excesso de oferta

Do lado da geopolítica, o cenário permanece complexo, embora alguns focos de tensão tenham arrefecido. Em Davos, o Presidente Trump procurou tranquilizar os ânimos relativamente à Gronelândia, garantindo que os EUA não usarão a força para controlar o território, apesar de insistir na necessidade estratégica de possuir a ilha. Este dossiê, contudo, teve pouco impacto real nas cotações, com os investidores mais focados na Venezuela e no Irão.

Sobre o Irão, tem havido um “silêncio ensurdecedor” nos últimos dias, o que mantém o mercado em alerta. Já em relação à Venezuela, Chris Wright, Secretário da Energia dos EUA, alertou que o país poderá aumentar a sua produção petrolífera mais depressa do que os analistas antecipam. Segundo Marcus McGregor, da gestora de ativos Conning, embora o Irão possa vir a ser um ponto de viragem, o pano de fundo atual continua a ser o de um mercado global com excesso de oferta, o que serve de “âncora” e impede subidas ainda mais drásticas.

No fecho das contas internacionais, o crude WTI tem oscilado na casa dos 60 dólares (fechando a sessão nos 60,62 dólares numa estreia do contrato de março, embora com ligeiras variações posteriores), enquanto o Brent se situa nos 64,85 dólares por barril.