Combustíveis voltam a subir na próxima semana num contexto de instabilidade global
Se ainda não abasteceu o carro, talvez seja boa ideia fazê-lo antes do fim de semana. A tendência de descida a que assistimos recentemente inverteu-se e, a partir da próxima segunda-feira, dia 16 de junho, os preços vão voltar a agravar-se. Segundo informações avançadas pela SIC Notícias, o aumento será transversal tanto ao gasóleo como à gasolina.
Esta será a segunda semana consecutiva de subidas. As previsões apontam para um encarecimento de 1,5 cêntimos por litro no gasóleo e de 1,0 cêntimo por litro na gasolina. Em termos práticos, e olhando para os valores médios, isto significa que o preço do gasóleo poderá saltar para os 1,533 euros, enquanto a gasolina deverá fixar-se nos 1,689 euros.
Naturalmente, estes valores podem oscilar dependendo do posto de abastecimento. Para quem procura minimizar o impacto na carteira, a recomendação passa por consultar o Portal Preços dos Combustíveis Online. Esta ferramenta permite filtrar a pesquisa por distrito, município ou marca, facilitando a comparação de preços e uma decisão mais informada na hora de encher o depósito.
O inverno e a geopolítica pressionam os mercados
Este agravamento nos preços em Portugal não é um caso isolado, mas sim o reflexo de uma negociação instável nos mercados internacionais de matérias-primas. Os futuros do petróleo têm registado uma tendência de alta, impulsionados fundamentalmente pelo aumento da procura de combustível para aquecimento.
Phil Flynn, do Price Futures Group, nota que as baixas temperaturas estão a dar um suporte decisivo ao mercado, especificamente no “heating oil”. A contribuir para o otimismo dos investidores está também a Agência Internacional de Energia (AIE), que reviu novamente em alta as suas previsões de procura global. Curiosamente, os futuros do diesel em Nova Iorque (Nymex) subiram uns expressivos 3,2%, o que se alinha com o aumento do gasóleo que sentiremos cá.
Tensões diplomáticas e excesso de oferta
Do lado da geopolítica, o cenário permanece complexo, embora alguns focos de tensão tenham arrefecido. Em Davos, o Presidente Trump procurou tranquilizar os ânimos relativamente à Gronelândia, garantindo que os EUA não usarão a força para controlar o território, apesar de insistir na necessidade estratégica de possuir a ilha. Este dossiê, contudo, teve pouco impacto real nas cotações, com os investidores mais focados na Venezuela e no Irão.
Sobre o Irão, tem havido um “silêncio ensurdecedor” nos últimos dias, o que mantém o mercado em alerta. Já em relação à Venezuela, Chris Wright, Secretário da Energia dos EUA, alertou que o país poderá aumentar a sua produção petrolífera mais depressa do que os analistas antecipam. Segundo Marcus McGregor, da gestora de ativos Conning, embora o Irão possa vir a ser um ponto de viragem, o pano de fundo atual continua a ser o de um mercado global com excesso de oferta, o que serve de “âncora” e impede subidas ainda mais drásticas.
No fecho das contas internacionais, o crude WTI tem oscilado na casa dos 60 dólares (fechando a sessão nos 60,62 dólares numa estreia do contrato de março, embora com ligeiras variações posteriores), enquanto o Brent se situa nos 64,85 dólares por barril.