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Euribor com variações distintas nos diferentes prazos

A Euribor registou oscilações nos seus principais prazos, com descida a três meses e subidas a seis e a 12 meses. Atualmente, a taxa a três meses desceu para 3,265%, mantendo-se acima da taxa a seis meses, que subiu para 3,058%, e da taxa a 12 meses, que aumentou para 2,798%.

A taxa Euribor a seis meses, que é desde o início do ano a mais usada em Portugal nos contratos de crédito à habitação de taxa variável, registou um ligeiro acréscimo. Segundo dados do Banco de Portugal relativos ao mês de agosto, cerca de 37,6% dos empréstimos para aquisição de habitação própria com taxa variável estão indexados a este prazo. Os contratos indexados à Euribor a 12 meses representam 33,2%, enquanto os que seguem a taxa a três meses totalizam 25,8% do mercado.

No prazo de 12 meses, a Euribor subiu para 2,798%, um acréscimo face ao valor anterior. Recorde-se que esta taxa chegou a superar os 4% em períodos recentes.

Em contraste, a Euribor a três meses recuou ligeiramente, fixando-se agora em 3,265%. Esta evolução revela que, apesar das recentes subidas dos prazos mais longos, os prazos curtos tendem a estabilizar ou a diminuir.

Quando analisada a média das taxas Euribor ao longo do mês de setembro, verifica-se uma descida em todos os prazos, embora de forma menos marcada do que em agosto e com menor intensidade nas maturidades mais curtas. A média a três meses baixou 0,114 pontos para 3,434%, a seis meses caiu 0,167 pontos para 3,258%, enquanto a média a 12 meses diminuiu 0,230 pontos, situando-se em 2,936%.

Estas flutuações ocorrem num contexto de ajustamentos de política monetária. O Banco Central Europeu (BCE) decidiu recentemente reduzir a sua principal taxa diretora em 25 pontos base para 3,5%, após ter mantido as taxas de juro inalteradas na reunião anterior. Antes disso, o BCE tinha descido as taxas diretoras em junho, após um período de estabilidade em valores máximos desde 2001, e após dez aumentos sucessivos desde julho de 2022.

Também a Reserva Federal dos Estados Unidos implementou um corte nas taxas de juro, reduzindo-as em 50 pontos base, numa decisão que marcou a primeira descida desde 2020.

A próxima reunião de política monetária do BCE está prevista para ocorrer em outubro, na Eslovénia, e poderá trazer novas orientações quanto à evolução das taxas na zona euro.

A Euribor é determinada pela média das taxas a que um grupo de 19 bancos da zona euro está disposto a emprestar dinheiro entre si no mercado interbancário, sendo um dos principais indicadores para a evolução dos créditos à habitação em Portugal e no resto da Europa.

Empresas

SK Hynix atinge lucro operacional recorde impulsionado pela Inteligência Artificial

Resultados históricos alimentados pelo avanço da IA

A SK Hynix anunciou resultados sem precedentes no segundo trimestre deste ano, impulsionados pela crescente procura de tecnologia de inteligência artificial. A empresa superou até o dobro do lucro operacional da Samsung Electronics, atingindo o valor trimestral mais elevado da sua história e reforçando a aposta no domínio do segmento de memórias para IA, mesmo perante o aumento da concorrência no setor.

Lucros e receitas em máximos históricos

No balanço preliminar apresentado a 24 de julho, a SK Hynix revelou que o seu lucro operacional consolidado do segundo trimestre (abril a junho) atingiu 9,21 biliões de won, um crescimento de 68,5% em relação ao mesmo período do ano passado. Este resultado ultrapassou as previsões dos analistas e marca o valor mais alto desde a fundação da empresa. O lucro operacional da SK Hynix tem vindo a crescer consecutivamente desde o primeiro trimestre do ano passado, superando inclusive o conjunto de resultados operacionais da rival Samsung Electronics – que inclui semicondutores, smartphones e eletrodomésticos – por três trimestres seguidos.

Também as receitas atingiram um novo recorde, crescendo 35,4% em relação ao ano anterior e fixando-se em 22,23 biliões de won. A margem operacional situou-se nos 41%, reforçando a rentabilidade do negócio.

O papel central da memória HBM para IA

O principal fator por detrás destes resultados é o sucesso dos chips de memória HBM (High Bandwidth Memory), essenciais para o funcionamento de sistemas de inteligência artificial. A SK Hynix tornou-se fornecedora dominante destes componentes, abastecendo sobretudo a norte-americana Nvidia, líder global em chips para IA.

De acordo com o presidente Song Hyunjong, a forte procura das grandes tecnológicas por soluções de IA tem impulsionado o mercado, enquanto a antecipação de possíveis incertezas como as tarifas aduaneiras acelerou as encomendas. Mais de 70% das receitas da empresa advêm da venda de DRAM, incluindo os módulos HBM, cuja produção deste ano já está totalmente comprometida, impulsionando significativamente os resultados financeiros.

Concorrência intensifica-se, mas liderança mantida

O desafio agora para a SK Hynix é manter a liderança perante o avanço dos concorrentes. Empresas como a norte-americana Micron começaram recentemente a fornecer produtos HBM3E à Nvidia, enquanto a Samsung avança para a produção em massa de memórias HBM4. Analistas da Goldman Sachs já anteciparam uma intensificação da competição e a possibilidade de queda nos preços destas memórias, fatores que fizeram as ações da SK Hynix recuarem 9% recentemente.

Apesar disso, o vice-presidente Kim Ki-tae garantiu que o mercado de HBM continuará a crescer rapidamente, sendo este tipo de memória crucial para o desenvolvimento da IA. Destacou ainda a vantagem da SK Hynix como pioneira na oferta personalizada e na colaboração com clientes neste segmento.

Investimento reforçado para responder à procura

Em resposta ao contexto de mercado, a SK Hynix decidiu aumentar o investimento em infraestruturas de produção de HBM, prevendo limitar possíveis descidas de preços devido à complexidade crescente dos processos de fabrico das novas gerações. O plano passa pela entrada em funcionamento, já no quarto trimestre, da nova fábrica M15X em Cheongju, e pelo início da operação de uma unidade em Yongin em 2027.

A empresa também referiu que as negociações com grandes tecnológicas para fornecimento de HBM estão a decorrer de forma positiva, sendo capaz de responder de forma flexível às exigências de volume e qualidade dos clientes. Especialistas do setor consideram que, dada a dificuldade técnica, apenas a SK Hynix e a Micron conseguem atualmente produzir memórias HBM ao nível exigido pelos gigantes da tecnologia, o que aumenta a probabilidade de a empresa coreana continuar a ser a escolha preferida.

Expansão para além da HBM

Paralelamente ao investimento em HBM, a SK Hynix planeia continuar a inovar no segmento de memórias DRAM convencionais e NAND. Estão previstos lançamentos de novos produtos de alto desempenho, tanto para dispositivos móveis como para aplicações gráficas, além de soluções SSD de última geração para consumidores e empresas, antecipando o crescimento da procura por armazenamento rápido.

Perspectivas para o futuro

O recorde de resultados da SK Hynix reflete diretamente o aumento do investimento das grandes empresas globais em centros de dados para IA. Se esta tendência se mantiver, a expectativa é de que a empresa prolongue este ciclo de crescimento histórico durante o segundo semestre. Segundo a administração, o crescimento do mercado de HBM não oferece dúvidas, sustentado pela rápida expansão da IA e pela multiplicação de novas aplicações e serviços inteligentes.

Saúde

Asston Pharmaceuticals prepara entrada na bolsa com IPO de R$ 27,56 crores

Abertura oficial da oferta pública

A Asston Pharmaceuticals Limited, empresa especializada em produtos farmacêuticos e nutracêuticos, com sede em Navi Mumbai, Maharashtra, anunciou que abrirá a sua Oferta Pública Inicial (IPO) no dia 9 de julho de 2025. A operação tem como objetivo captar aproximadamente ₹27,56 crores. As ações serão listadas na plataforma de pequenas e médias empresas da BSE Limited (BSE SME).

A emissão será realizada por meio de um processo 100% book building, de acordo com os regulamentos estabelecidos pela SEBI (Securities and Exchange Board of India).

Distribuição das ações

A estrutura de alocação das ações da IPO da Asston será a seguinte:

  • Investidores Âncoras (QIB Anchor): até 6.35.000 ações ordinárias

  • Investidores Institucionais Qualificados (QIB): até 4.25.000 ações

  • Investidores Não Institucionais (NII): até 3.22.000 ações

  • Investidores Individuais de Varejo (RII): até 7.46.000 ações

  • Market Maker: até 1.13.000 ações

Utilização dos recursos arrecadados

Os recursos líquidos obtidos com a oferta serão destinados à aquisição de novos equipamentos para a unidade de produção, reforço do capital de giro, amortização parcial ou total de dívidas em aberto e outras finalidades corporativas gerais.

A tranche para investidores âncoras será aberta no dia 8 de julho de 2025. O período de subscrição pública decorre entre os dias 9 e 11 de julho de 2025.

O coordenador líder da oferta é a Sobhagya Capital Options Private Limited, e o registo ficará a cargo da Maashitla Securities Private Limited.

Declaração da administração da empresa

O Diretor Executivo da Asston Pharmaceuticals Limited, Dr. Ashish Narayan Sakalkar, afirmou: “Estamos entusiasmados por anunciar a entrada da Asston Pharmaceuticals no mercado de capitais, um passo crucial na nossa trajetória de crescimento, inovação e compromisso com a excelência na área da saúde. Este IPO representa um marco importante na nossa evolução como fabricante de medicamentos, oferecendo soluções terapêuticas de qualidade, acessíveis e confiáveis para diversos segmentos.”

Sakalkar destacou ainda que a empresa vem ampliando gradualmente a sua presença no setor, com um portefólio robusto de formulações, foco na eficiência produtiva e forte conformidade regulatória. “Investimos continuamente em infraestruturas, talento humano e investigação e desenvolvimento para garantir um crescimento sustentável”, reforçou o executivo.

Indicadores do mercado cinzento (GMP) e estimativas de retorno

Segundo dados mais recentes, o prémio no mercado cinzento (GMP) da IPO da Asston Pharmaceuticals alcançou ₹10 em 5 de julho, após ter iniciado a ₹0 no dia anterior. Atualmente, o GMP mantém-se nos ₹10.

  • Taxa Kostak: não divulgada até o momento.

  • Valor estimado ‘Subject to Sauda’: ₹7.600

  • Retorno esperado: 8%

Detalhes adicionais sobre a emissão

A IPO será estruturada como uma emissão do tipo book building, composta exclusivamente por uma oferta primária no valor total de ₹27,56 crores. O preço por ação será definido dentro da faixa de ₹115 a ₹123.

A distribuição por tipo de investidor será: 35% para o público de varejo, 50% para QIBs e 15% para HNIs (investidores de grande porte). A data prevista para listagem das ações na BSE é 16 de julho de 2025, com a alocação final agendada para 14 de julho de 2025.

Resultados financeiros impulsionam confiança

Em termos de desempenho financeiro, a empresa registou uma receita de ₹25,61 crores no ano de 2025, contra ₹15,84 crores em 2024. O lucro também apresentou um crescimento expressivo, saltando de ₹1,36 crores em 2024 para ₹4,33 crores em 2025.

Com base nesses resultados, analistas recomendam o investimento na IPO da Asston Pharmaceuticals com uma perspectiva de longo prazo, apostando no contínuo crescimento e fortalecimento da empresa no setor farmacêutico indiano.

Empresas

Nova reserva contracíclica do Banco de Portugal impõe maior exigência de capital ao BCP

O Banco de Portugal anunciou a introdução de uma nova reserva de capital contracíclica de 0,75%, que incidirá sobre a exposição dos bancos ao setor privado não financeiro em Portugal. Esta medida está prevista para entrar em vigor a partir de 1 de janeiro de 2026, tanto numa base individual como consolidada.

A decisão insere-se na estratégia do regulador para reforçar a resiliência do sistema financeiro nacional face a eventuais choques económicos, num contexto em que os riscos para a estabilidade financeira aumentaram nos últimos anos. A reserva contracíclica pretende, assim, funcionar como um colchão adicional que os bancos terão de constituir para prevenir desequilíbrios nos ciclos económicos.

Segundo cálculos efetuados com base nos relatórios e contas de 2023, o banco que enfrentará o maior impacto desta medida é o BCP (Banco Comercial Português). O Jornal Económico analisou os Ativos Ponderados pelo Risco (RWA – Risk-Weighted Assets) das principais instituições financeiras do país e apurou que o BCP detinha, no final do ano passado, 39.751 milhões de euros em RWAs.

Aplicando a nova taxa de 0,75% sobre esse montante, o BCP terá de constituir uma reserva adicional de aproximadamente 297,9 milhões de euros. Trata-se, portanto, da maior almofada exigida entre os cinco maiores bancos a operar em Portugal.

Esta obrigação de reforço de capital poderá ter implicações diretas na estratégia de alocação de recursos do BCP, obrigando o banco a ajustar os seus planos de investimento, distribuição de dividendos ou até a sua política de concessão de crédito. Ainda que a medida só entre em vigor em 2026, as instituições terão de começar a preparar-se desde já para garantir o cumprimento dos requisitos regulamentares.

Recorde-se que a reserva contracíclica é uma ferramenta prudencial que tem vindo a ganhar relevância em vários mercados europeus, sobretudo em fases de crescimento económico mais prolongado, onde se acumulam vulnerabilidades financeiras. Ao exigir aos bancos que reforcem o seu capital em períodos de expansão, o regulador procura mitigar os efeitos de eventuais crises futuras.

No caso português, esta será a primeira vez que o Banco de Portugal estabelece uma taxa positiva para a reserva contracíclica, sinalizando uma mudança na perceção dos riscos associados à evolução do crédito ao setor privado. Os restantes bancos, embora com menor exposição do que o BCP, também terão de constituir reservas proporcionais ao seu nível de ativos ponderados pelo risco.

A medida reforça a tendência crescente de uma supervisão mais exigente no setor financeiro nacional, num momento em que os bancos portugueses apresentam níveis de capital mais robustos do que no passado, mas continuam a ser desafiados por um ambiente macroeconómico incerto e pelas exigências do novo quadro regulatório europeu.