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12/10/2013 | Artigos

Vending no norte de Portugal

Hostel Vending Portugal

Vista da ponte D. Luís, no Porto




 
Hostelvending.com.pt

O Vending é um setor com o qual convivemos diariamente. Seja na escola, num hospital, num centro comercial, seja num ginásio, é frequente encontrarmos máquinas de distribuição automática.

Apesar de omnipresente, a distribuição automática, tal como qualquer outro setor da economia nacional, não resiste imune ao impacto da atual crise económica. Num ano de 2013 em que têm sido muitos os sacrifícios exigidos a todos, as dificuldades em sobreviver avolumam-se progressivamente. As políticas de austeridade agressivas que o governo tem levado a cabo têm provocado a retração do consumo das pessoas, um dos principais eixos do crescimento económico.

Instado a apresentar um retrato da situação que o setor vive na região norte do país, Manuel Gomes, Administrador da Andreia, S.A., realçou: "Como em todas as áreas de atividade, a conjuntura económica atual tem grande influência no nosso setor". A grave situação portuguesa repercute-se ainda no elevado índice de desemprego, razão que explica, sobremaneira, a redução drástica do consumo. Manuel Gomes dá-nos conta disto mesmo: "Além disso, a taxa de desemprego na região norte é muito elevada, o que tem vindo a refletir-se, mês após mês, no consumo". 

Com um discurso análogo, Sérgio Sousa, Administrador da BA Bares Automáticos, afirma que "A região norte de Portugal, à semelhança do que se passa no resto do país, está a atravessar um momento conturbado, não pela falta de clientes, mas sim pelos apuros verificados nos próprios equipamentos". "O facto de as empresas/clientes terem cada vez menos funcionários, aliado ao decrescente poder de compra de todos nós, tem-se refletido na descida da venda dos produtos existentes nas máquinas de venda automática", acrescenta ele.  

Sobre a mesma questão, Alfredo Cardoso, sócio-gerente da DouroVending, comenta: "As empresas operadoras de Vending na região norte estão numa fase de profunda "agonia", devido "ao ambiente de guerrilha e selva" (que sucede há muitos anos) para ganhar os pontos, baixando, de modo acentuado, os preços de venda (como exemplo, vejamos o café: 0,15 - 0,20€). Com este tipo de atitude que abrange Grandes e Médios operadores, a margem de lucro é francamente reduzida. Associados a este enquadramento negativo, os custos de exploração (logística) têm aumentado de modo significativo".

Perante este cenário aflitivo, Alfredo Cardoso não deixa de reforçar a necessidade de uma associação que proteja os interesses dos profissionais do setor: "O setor do Vending e Office necessita, com enorme urgência, de uma associação a nível nacional forte e coesa, que defenda os interesses reais de todos os seus associados".

Relativamente às políticas de austeridade decretadas pelo governo, Manuel Gomes, da Andreia, S.A., considera que "As políticas do nosso Governo estão a retirar o poder de compra das famílias, o que se reflete automaticamente no nosso setor. Assistimos, todos os dias, ao encerramento de empresas e à consequente retirada das máquinas". 

Entre outras razões que parecem prejudicar o desempenho do setor, este responsável destaca o ressurgimento de um hábito remoto: "as pessoas estão a voltar ao hábito de trazerem de casa o lanche, o que é, obviamente, péssimo para a nossa atividade".

Sérgio Sousa partilha da mesma opinião de que os efeitos da aplicação das medidas de austeridade se fazem notar igualmente no vending: "Como em todos os setores de atividade, as políticas de austeridade fazem-se sentir no vending. Além do já muito falado incremento de IVA na Hotelaria em 2012, que é extensível ao vending, os aumentos dos encargos fiscais continuados têm sido muito penalizadores. No que respeita à nossa empresa, ao longo dos dois últimos anos, temos sido muito rigorosos no controlo de custos, investimento e despesas correntes da nossa atividade, tendo sempre como missão principal garantir que em momento algum baixamos a qualidade do nosso serviço e produtos, de modo a garantir a contínua confiança dos nossos clientes/parceiros". Prossegue: "Temos investido no controlo dos custos operacionais e, dia a dia, incrementado políticas e diretivas com vista à máxima rentabilização de todos os meios disponíveis". 

Além dos resultados negativos, Alfredo Cardoso reconhece efeitos positivos na aplicação das medidas de austeridade promulgadas pelo governo. Comenta ele: "Na minha opinião, existe uma influência que é, de facto, negativa e, ao mesmo tempo, positiva. Negativa, porque reduz a compra por impulso (menos poder de compra) na Máquina de venda automática, especialmente em alguns produtos ditos não essenciais (águas com sabores, chocolates, etc). Positiva, porque ao vender um Café a 0,40€, a empresa operadora oferece um produto de altíssima qualidade a baixo custo, seja no local de trabalho, seja em casa (Office and Home). Deste modo, o tradicional hábito de tomar o café no canal HoReCa é transferido para um serviço de venda automática ou um regime de self service (Office Coffee and Home). É fundamental gerir este novo cenário recessivo em termos económicos". 

Questionado sobre que medidas poderiam ser tomadas para imprimir um novo fôlego ao setor, Manuel Gomes não deixou de advertir para o facto de que "o setor está dependente das políticas agressivas de operadores de vending que praticam preços abaixo do mercado, causando concorrência desleal e levando a que alguns dos nossos colegas, que não podem acompanhar estas políticas, tenham de fechar portas, o que é lamentável, pois é um setor de atividade de futuro". Prossegue ainda: "Eles não se preocupam com a qualidade dos produtos que estão a oferecer aos seus clientes, mas sim com os preços baixos e comissões avultadas para ganhar "pontos" (clientes), embora a nossa esperança seja a de que, com o desagrado do cliente, este acabe por se consciencializar de que tem de haver um equilíbrio preço/qualidade". 

Aludindo a um assunto referido reiteradamente pelos operadores, Manuel Gomes acentua, por último, a necessidade de uma associação representativa do setor: "deveria existir uma Associação capaz e credível para regular o setor". 

Sérgio Sousa prefere, por seu turno, reforçar a importância de ser criativo, imaginativo e interventivo na gestão e condução deste negócio: "Pelo simples facto de, hoje em dia, estarem presentes no mercado demasiadas empresas de vending em atividade, para fazermos crescer a indústria em si, os operadores de vending terão de ser muito interventivos e imaginativos para ultrapassar as dificuldades reais do negócio". Este responsável assinala ainda: "Hoje em dia, já não basta apresentar máquinas de vending ao cliente. O negócio tem de ser reinventado, através de novas soluções de vending, com novos complementos de serviço ao cliente". 

Como indústria com pouco mais de 20 anos de implementação no mercado, isto no formato pelo qual a conhecemos, o vending está incluído num "grupo de atividade que todos os dias sofre alterações de modernização para estar na linha da frente, face às novas solicitações que surgem", acrescenta ele. 

Reportando-se ao caso concreto da sua empresa, Sérgio Sousa confessa: "Na BA Bares Automáticos, SA, ao longo dos últimos 3 anos, temos vindo a implementar novas ideias de negócio, como a disponibilização de refeições prontas nas nossas máquinas de venda automática, a consultoria de negócio junto dos nossos clientes e estabelecendo parcerias em setores como WaterCoolers, Office Coffee e Catering, de modo a apresentarmos ao cliente uma panóplia de serviços e produtos além do tradicional serviço de vending".

Para impulsionar o setor, Alfredo Cardoso enumera duas importantes medidas. Retomando a questão associativa, ele sustenta, como "muito urgente, a constituição de uma associação de venda automática em Portugal, com uma equipa séria, credível, que defenda os reais interesses de todos e não só de alguns…". Por outro lado, sugere que se deva "diversificar os locais, ser criativos (numa base de viabilidade) no serviço e produto para o cliente final…".

Referindo-se ao que falta do ano de 2013, Manuel Gomes desabafa com visível mágoa: "Infelizmente, as perspetivas não são animadoras e tendem mesmo a piorar". "É com muito pessimismo que olhamos em frente!", remata.

Para Sérgio Sousa, o que resta de 2013 será, tal como 2012, "um ano difícil, porventura um ano decisivo para o vending". Focando a análise na sua empresa, este responsável adianta que para a "BA Bares Automáticos, SA será a continuação de um projeto de restruturação e implementação de novos negócios, aproveitando também novos nichos de mercado, com vista à máxima rentabilidade dos meios existentes".

Perante o mesmo assunto, Alfredo Cardoso aconselha a estarmos "atentos às oportunidades e aos pontos críticos deste negócio muito específico". "Se acreditarmos que podemos e devemos fazer melhor, formos inconformados e lutarmos de forma unida, teremos mais probabilidades de sobreviver…", conclui.

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