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05/10/2013 | Artigos

Mercado português de café

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No estudo académico intitulado 'Tendências e Perspetivas Sociais no consumo de Café em Portugal em 2021', elaborado no âmbito de um Mestrado em Comportamento do Consumidor do IPAM - The Marketing School, Tiago Oliveira, autor desta investigação, apresentou conclusões muito importantes. 

Para a elaboração desta dissertação, o autor contou com a participação e contributo valioso de um painel de especialistas na área do café. 

Considerado um dos produtos mais transacionados e consumidos em todos os continentes, contribuindo decisivamente para o "processo de globalização, tal como o conhecemos", o café não encontra em Portugal as condições ideais ao seu cultivo e produção, a não ser que aconteça "uma alteração drástica do clima a nível mundial".

Se a "forma como o café é ingerido diverge de cultura para cultura", temos de reconhecer que as finalidades do seu consumo "são comuns em todas as sociedades onde se encontra inserido". Como acontece frequentemente, a ingestão de café é associada à necessidade de recobrar energias, incrementar os estados de vigilância, alerta e entusiasmo contínuos.

Como teve oportunidade de nos explicar, Tiago Oliveira afirma que "Nesta dissertação, através da análise qualitativa efetuada, são apurados resultados interessantes que permitirão ao mercado Português de café prever quais os padrões a que o consumidor Português de café irá obedecer dentro de dez anos (2021)". 

Com base numa metodologia assente, preferencialmente, na recolha e cruzamento de opiniões, foi selecionado um painel de 28 especialistas na cadeia de valor do café e comportamento do consumidor, oriundos das esferas académica, privada e pública. 

"Quer em casa, quer na rua, o café continua a ser um produto altamente requisitado pelo consumidor Português…", comenta Tiago Oliveira.

O estudo em questão permite, acima de tudo, conhecer o Perfil do Consumidor de café Português FAH e FAFH em 2021. Aplicados ao consumidor português, FAH e FAFH são dois termos que designam, respetivamente, os consumidores 'Food at Home' e 'Food Away from Home'.

No que concerne às principais conclusões, o estudo esclarece que, num prazo de dez anos (2021), "o consumidor de café Português não irá ultrapassar os 8 KG anuais, podendo duplicar o seu consumo atual". Prossegue: "Irá preferir um lote com caraterísticas pouco ácidas, sabor neutro, algo encorpado e com muito retro-gosto, o que, por sua vez, impede que o blend seja constituído por 100% de café Arábica". 

De acordo com o painel de especialistas inquiridos, a tendência aponta para um significativo aumento do café Arábica, em detrimento do Robusta, que tem a particularidade de ser mais encorpado, forte e ácido. 

Abordando também a questão do cenário político e económico Português, a pesquisa conclui que a "qualidade dos lotes tende a melhorar", ainda que a conjuntura económica Portuguesa possa vir a prolongar-se.

A dissertação apresenta muitas outras conclusões interessantes. O aumento da "percentagem de cafés certificados (Rainforest Alliance, UZT, ISO 14001, FAIR TRADE) consumida por parte do consumidor Português será um cenário muito provável, podendo a sua quota de mercado atingir os 40% da totalidade do café consumido no país".

No que toca a preços de uma chávena de café, o estudo refere que a maioria dos especialistas estima que a mesma possa ser "mais cara entre 26% e 34% num período de dez anos". No entanto, assinala que três especialistas creem numa subida superior a 53%.

Entre as razões avançadas para esta possibilidade, inclui-se o facto de o "preço de uma chávena em Portugal ser dos mais baixos da Europa", juntamente com a "pressão especulativa sobre as matérias-primas". Como solução para contrariar esta última situação, é sugerida a "venda direta do produto aos torrefatores".

Em termos de segmentação do mercado, a "divisão atual da percentagem de consumidores que preferem tomar café em casa é de 20% contra os 80% que o fazem fora", ao invés do que acontece nos restantes países europeus, onde "70% do café é ingerido em casa e os restantes 30% fora". 

Para o painel, o consumo doméstico terá, dentro de dez anos, um acréscimo de apenas 20%, fazendo elevar para 40% a percentagem de café que será tomada no lar. 

Entre as razões para que continue a forte prevalência do consumo fora de casa, independentemente de uma "subida escalonada das matérias-primas", é apontada a "nossa cultura latina", sendo referida a "necessidade do consumidor português de socializar". Paralelamente, "fatores como o stress no trabalho, a par de um estilo de vida mais ativo" determinarão uma subida do consumo de café FAFH. Por seu turno, com "mais tempo despendido com a família, o consumo de café FAH poderá aumentar".

Em relação ao aumento do consumo de bebidas derivadas de café, alguns dos especialistas assinalam o "fracasso deste segmento", ressalvando, porém, que "o potencial crescimento deste segmento está afeto aos jovens", público com clara propensão para consumir este tipo de bebidas.

Outra das conclusões obtidas sugere que "se a comunicação deste tipo de produtos for bem direcionada, este segmento de mercado poderá ser alvo de um potencial crescimento, aumentando os atuais 80% de Portugueses consumidores de café para valores próximos dos 90%".

Ainda no plano da análise do consumo FAFH, o painel recomenda uma aposta por parte do mercado Português "no investimento nos segmentos do Vending e Restauração". O estudo deixa ainda o alerta para o possível "aparecimento de mais do que uma marca de café num mesmo espaço comercial", à semelhança do que se verifica com o setor cervejeiro.

Reportando-se ao consumo FAH, conclui-se também que os atores do setor "deveriam canalizar os seus investimentos em máquinas de café expresso e especiais (derivados de café e misturas como cappuccino, etc).

Numa análise demográfica, destaca-se que o "consumidor irá iniciar a sua toma, tal como hoje, entre os quinze e os dezassete anos. O sexo feminino, por sua vez, tenderá a igualar o consumo de café face ao sexo oposto", possibilidade esta que fica a dever-se, sobretudo, ao "papel cada vez mais ativo da mulher na sociedade".

Outra das conclusões aponta a possibilidade de a transação de café destronar o petróleo. Senão vejamos: "A crescente preocupação com o meio ambiente e a utilização de meios locomotores sustentáveis fazem com que a maioria do painel considere a possibilidade de o café, que ocupa, atualmente, o segundo lugar na lista de bens mais transacionados a nível mundial, suplantar o petróleo". No entanto, admite-se que o prazo de dez anos possa não bastar para que este fenómeno se concretize. 

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